Tamanho do texto

Segundo um sobrevivente de um campo de concentração, policiais teriam afirmado que matar filhos gays é uma questão de "honra"

De acordo com um relato de um sobrevivente, a polícia da Chechênia emitiu um aviso arrepiante para os pais de homens gays. Ele afirma que as autoridades instruíram os pais na região a assassinarem os próprios filhos gays por "honra", e os está ameaçando com os dizeres "ou você mata, ou nós matamos".

Leia também: Chechênia abre campo de concentração para homossexuais, afirmam ativistas 

Sobrevivente de campo de concentração acusa polícia de mandar os pais matarem filhos homossexuais
shutterstock
Sobrevivente de campo de concentração acusa polícia de mandar os pais matarem filhos homossexuais

O homem, cuja identidade foi protegida para a própria segurança, afirmou ao canal de notícias “França 24” que ele conseguiu escapar de um dos campos de concentração para homossexuais montados pelas autoridades chechenas. A polícia  orientou que os pais de homens gays devem "resolver isso" e que, caso contrário, as autoridades intervirão na questão. De acordo com o sobrevivente, os policiais chamam isso de “limpar sua honra com sangue”.

Leia também: É como quebrassem cada osso do corpo, diz homem sobre tortura na Chechênia

O sobrevivente diz ainda que os policiais deram aos membros da família um ultimato. "Eles torturaram um homem por duas semanas [então] eles convocaram seus pais e irmãos para que todos fossem até lá. As autoridades disseram a eles: 'Seu filho é um homossexual, resolva ou faremos nós mesmos'", conta.  A vítima acrescenta que os homossexuias sempre foram perseguidos, mas nunca dessa maneira. "Agora eles prendem todos. Eles matam pessoas, fazem o que quiserem”, afirma.

Campo de concentração na Chechênia

No início de abril, o portal de notícias russo "Novoya Gazeta" denunciou a criação de um campo de concentração para homossexuais. Um dos que escaparam disse que os prisioneiros foram espancados para forçá-los a revelar outros membros da comunidade gay.  Outro prisioneiro que fugiu disse que, antes de ser preso em um desses campos, tinha sido obrigado a pagar subornos de milhares de rublos a cada mês para poder sobreviver.

Leia também: Protesto por homossexuais termina com ao menos 17 presos na Rússia

O porta-voz do governo, Alvi Karimov, negou a informação, argumentando que não existem homossexuais na região. "Você não pode prender ou reprimir pessoas que simplesmente não existem na república. Se essas pessoas existiam na Chechênia, a polícia não teria de se preocupar com elas, porque seus próprios parentes os teriam mandado para onde nunca poderiam retornar".

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.