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O governo do país supostamente prendeu 100 homens gays em abril

Anzor estava deitado em um chão sujo quando um homem usando botas de exército pulou em suas costas. Sua agonia piorou quando os captores começaram a torturá-lo com choques elétricos. "É uma sensação como eles estivessem quebrando cada osso de cada articulação em seu corpo ao mesmo tempo", diz ele sobre tortura sofrida em campo de concentração na Chechênia.

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Na Chechênia, homem relata tortura sofrida em prisão
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Na Chechênia, homem relata tortura sofrida em prisão

A Chechênia é uma a região predominantemente muçulmana no sul da Rússia, onde dezenas de homens suspeitos de serem homossexuais foram presos e torturados. Há ainda boatos de que três deles foram mortos. Sob a condição de usarem apenas seu primeiro nome, Anzor relatou os horrores que passou quando foi preso à agência de notícias "The Associated Press".

Aos 40 anos, Anzor conta que tudo começou quando a polícia parou o carro em que estava andando com amigos na cidade de Argun . Eles foram levados para uma delegacia de polícia depois que os policiais encontraram uma pílula sedativa com um amigo. Pequenos detalhes que Anzor não queria divulgar levaram a polícia a acreditar que ele e um de seus amigos eram gays, disse ele.

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Eles foram brutalmente espancados na frente do chefe da delegacia e levados para um barracão em que Anzor passou dez dias. Ele afirma que o barracão tinha dezenas de homens que foram espancados e abusados ​​por homens camuflados. Nos primeiros dias, Anzor conta que os espancamentos eram tão frequentes que ele parou de sentir qualquer dor. Os presos tinham grampos de fios elétricos colocados nos dedos dos pés e das mãos enquanto os torturadores controlavam a potência.

Então a tortura parou. Alguns dias depois, Anzor foi levado para fora e avisado de que estava livre para ir embora, sem qualquer explicação. Ele pensou em ir a uma região vizinha e relatar suas contusões e lesões no hospital de lá, mas ficou com medo.

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Campo de concentração no país

No início de abril, o portal de notícias russo "Novoya Gazeta" denunciou a criação de um campo de concentração para homossexuais. Na época, o porta-voz do governo, Alvi Karimov, negou a informação, argumentando que não existem homossexuais na região. "Você não pode prender ou reprimir pessoas que simplesmente não existem na República . Se essas pessoas existiam na Chechênia, a polícia não teria de se preocupar com elas, porque seus próprios parentes os teriam mandado para onde nunca poderiam retornar".

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