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Conversamos com uma psicóloga especialista em RH para sabermos qual é a melhor maneira de agir no ambiente profissional

Estar no ambiente profissional sendo LGBT é, sem sombra de dúvida, um desafio. Muitas perguntas surgem quando se entra em um novo emprego: como se assumir? Será que é preciso se assumir? O que fazer se ouvir alguma piada ou comentário preconceituosos por parte de colegas de trabalho?

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A fim de refletir acerca dessas questões, perguntamos para Lídia Dupuit, psicóloga especialista em Recursos Humanos, como se assumir no trabalho .

Como se assumir no trabalho é uma dúvida natural para a população LGBT
Flickr/Kim Gunnarsson
Como se assumir no trabalho é uma dúvida natural para a população LGBT


O primeiro ponto que Dupuit ressalta é a particularidade das relações interpessoais no ambiente profissional brasileiro. "[No Brasil,] o trabalho é uma esfera social importante", aborda a psicóloga, afirmando que "as pessoas se envolvem mais pessoalmente no ambiente de trabalho" que em outros países ao redor do globo. A linha que delimita vida profissional e vida pessoal é mais frágil, e isso faz com que exista uma pressão para se assumir, "como se você sentisse que as pessoas estão cobrando isso de você".

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No entanto, Dupuit afirma que "ninguém deve se sentir pressionado a falar sobre sua vida pessoal no trabalho". "Você não precisa marcar uma hora específica para falar [sobre sua sexualidade] com seu colega ou chefe ou alguma outra autoridade", ela completa. 

Isto posto, a melhor maneira de se portar no trabalho, defende a psicóloga, é com naturalidade. "Se você não tratar isso como um tabu, as pessoas tendem a reagir com uma maior naturalidade e respeito, ao invés de demonstrar medo, receio, como se sua sexualidade fosse algo proibido e precisasse estar escondida", declara.

Assédio ou constrangimento

Há momentos, porém, que se fará necessário tratar a questão formalmente, como em casos de assédio moral ou sexual relativos à sexualidade dentro da empresa. "Se você sentir que está sendo alvo de algum tipo de agressão, fisica ou psicológica, deve procurar primeiramente o setor de RH da empresa, que deverá acompanhar o caso e fornecer feedbacks à vitima", orienta Dupuit.

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A psicóloga completa que "se nada for feito e você continuar sofrendo as consequências disso, você pode procurar o sindicato, o conselho profissional da sua região, o ministério público, as comissões de direitos humanos, a justiça do trabalho, dentre outros". "Não faltam orgãos que podem te ajudar nessa questão (como se assumir no trabalho) e implicar a empresa em um processo juridico", conclui.

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