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"Não podemos nos afastar das lutas globais para expandir a democracia, os direitos humanos, os direitos das mulheres e os direitos LGBT."

Na terça-feira (10),  Barack Obama deu seu último discurso como presidente dos Estados Unidos, na cidade de Chicago, onde começou sua carreira política. O pronunciamento durou em torno de 50 minutos e foi marcado por latente emoção e otimismo.

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Obama é conhecido por ser o presidente estadunidense que mais se dedicou às pautas da comunidade LGBT e de outras minorias, e isso não poderia passar batido em seu último discurso . Ele frisou a importância de que os Estados Unidos abrace a luta pelos direitos LGBT não apenas dentro do território nacional, mas ao redor de todo o mundo.

No último discurso, Obama se emocionou ao alertar os americanos para a necessidade de superar as divergências
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No último discurso, Obama se emocionou ao alertar os americanos para a necessidade de superar as divergências

O democrata, que foi eleito pela primeira vez em 2008 e reeleito em 2012, pediu para que as minorias não tenham medo, pois este sentimento enfraquece a democracia, e reforça que a população norte-americana deva se empenhar para avançar as barreiras territoriais na batalha pela igualdade.

"Não podemos nos afastar das lutas globais para expandir a democracia, os direitos humanos, os direitos das mulheres e os direitos LGBT, não importa o quão imperfeitos sejam nossos esforços, ou por mais oportuno que possa parecer ignorar tais valores", ele declarou.

Obama também acrescentou: "No futuro, teremos de defender as leis contra a discriminação [...]. Isso é o que nossa Constituição e ideais mais elevados exigem", mas lembrou que apenas leis não são suficientes para manter a igualdade. "Os corações devem mudar", concluiu o presidente.

Sempre lembrando do fundamental papel da população nas vitórias alcançadas e nas batalhas que ainda estão por vir, o presidente ficou entre o otimismo e a cautela, mas com a certeza de que seu trabalho estava feito. "A América é um lugar melhor e mais forte do que era quando começamos".

Barack Obama deixará o cargo no dia 20 de janeiro, sendo Donald Trump o político eleito para assumir a presidência em seu lugar. Trump vem sofrendo críticas desde que lançou sua candidatura por declarações homofóbicas e por trazer em sua equipe políticos declaradamente anti-LGBT.

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Conquistas LGBT na era Obama

O democrata atuou na derrubada da "Don't Ask, Don't Tell" ( Não Pergunte, Não Conte, em tradução livre ), política de restrição anti-LGBT do exército estadunidense que consistia em proibir legalmente qualquer membro do serviço militar homossexual ou bissexual de revelar sua sexualidade, ao passo que também inibia a entrada de pessoas assumidas no exército.

Também contribuiu para invalidar a Lei de Defesa do Matrimônio, que restrigia a definição de casamento à união de um homem e uma mulher. Essa foi uma das atuações de Obama que contribuiram para instaurar o casamento igualitário em todo o país.

Obama tornou Stonewall Inn., berço do movimento LGBT moderno, um monumento nacional, além de ter colorido a Casa Branca com as cores da bandeira do Orgulho LGBT e proclamado luto após o massacre de Orlando. Em seu discurso sobre esta tragédia, ele declarou: "Diante do ódio e da violência, nós vamos amar uns aos outros. Não vamos nos render ao medo e nos virarmos uns contra os outros".

Além disso, o presidente emitiu uma diretriz advogando que as escolas protegessem estudantes LGBT, assinou uma lei federal sobre crime de ódio, nomeu diversos funcionários e embaixadores abertamente LGBT e supervisionou um Departamento de Estado que defende a igualdade no mundo.

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Tais avanços são apenas alguns dos conquistados pelos gays, lésbicas, bissexuais e trans durante a gestão de Obama, e os quais, em seu último discurso, ele demandou que continuem acontecendo.

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