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Caster Semenya foi forçada a fazer testes para comprovar que seria do sexo feminino sob o risco de perder medalha

A atleta olímpica Caster Semenya casou-se em uma cerimônia tradicional com sua namorada de longa data e parceira de treinamento, Violet Raseboya. O casal, que já havia firmado compromisso no civil em 2015, celebrou matrimônio no dia do aniversário de Semenya, dia 7 de janeiro, na África do Sul.

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Semanya compartilhou momentos do grande dia em seu perfil no Intagram. A atleta conta que o relacionamento com Raseboya se desenrolou por oito anos, entre idas e vindas, até decidirem casar.

Atleta sul-africana Caster Semenya e esposa  Violet Raseboya em carimônia de matrimônio
Instagram/Reprodução
Atleta sul-africana Caster Semenya e esposa Violet Raseboya em carimônia de matrimônio

A sul-africana é conhecida pelas suas medalhas de ouro e prata nas Olimpíadas de Rio 2016 e Londres 2012, respectivamente, na modalidade dos 800 m rasos no atletismo. Semanya também esteve envolvida em uma polêmica a respeito de sua feminilidade, quando foi forçada a fazer testes para comprovar que seria do sexo feminino, sob a pena de devolver as medalhas já conquistadas.

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Polêmica sobre sexo

Semanya foi coagida a ser examinada por um grupo de médicos, incluindo endocrinologista, ginecologista e especialistas em questões de gênero, conforme ordem da Federação Internacional de Atletismo (IAAF). A postura da organização foi amplamente criticada, tendo a IAAF recebido acusações de racismo e sexismo por parte de atletas, celebridades e do próprio governo sul-africano. Caster afirmou que o exame foi "injustificado e invasivo dos detalhes mais íntimos e privados de seu ser".

Semenya exibe medalha de ouro conquistada nas Olimpíadas Rio 2016
Arquivo
Semenya exibe medalha de ouro conquistada nas Olimpíadas Rio 2016

A presumida interssexualidade da corredora foi motivo, então, de assédio e discriminação. Não apenas a imprensa e o público, mas também outras competidoras criticaram a participação de Semanya em competições femininas. Atletas alegavam que teriam uma desvantagem ao disputar o pódio contra alguém com aspectos masculinos e que a sul-africana deveria correr contra homens.

Após uma atleta interssexual indiana chamada Dutee Chand apresentar um recurso contra o regulamento da IAAF, o Tribunal de Arbitragem Esportivo (TAS) concluiu que a medida da Federação é discriminatória e que não havia comprovação que a testosterona, de fato, atuava na melhora do rendimento das mulheres no atletismo. A partir dessa conclusão, tanto Chand como Semanya puderam competir sem o uso de medicamentos para baixar o nível de testosterona no Rio 2016.

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Em uma entrevista sobre o assunto, a atleta disse: "Eu não dou a mínima para o que as pessoas dizem sobre mim. Eu gosto do jeito que eu sou e quem se importa com o que os outros dizem?".

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