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Dados apontam que 2016 poderá acabar com um total próximo a 340 mortes, o maior número dos últimos anos. Saiba mais

Em 2016, o número de homicídios de pessoas LGBT deve crescer e superar as ocorrências dos últimos anos. O indicativo foi revelado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), responsável por elaborar anualmente o Relatório de Assassinatos LGBT no Brasil, reconhecido pela Secretaria Especial de Direitos Humanos. Os primeiros dados apontam que o ano acabará com um total próximo a 340 mortes, maior número nos últimos anos.

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O número de homicídios contra pessoas LGBT aumentou em relação aos últimos anos
Flickr/Fredisonfire
O número de homicídios contra pessoas LGBT aumentou em relação aos últimos anos

No ano passado, foram contabilizadas 318 mortes. Até agora, somam-se 329 mortes, mas acredita-se que o ano se encerrará com aproximadamente 340 homicídios . "Em 36 anos que monitoro os dados, nunca chegamos a esse número”, disse Luiz Mott, antropólogo fundador do GGB.

Segundo Mott, vários fatores influenciaram este aumento, como a coleta mais sistematizada de informações e também a reação conservadora às pessoas que assumem sua orientação sexual. Ao se assumir, acabam ficando mais expostas a situações de violência, e isso leva a um aumento generalizado de crimes.

“99% dos crimes contra LGBTs tem como agravante a intolerância, além da vulnerabilidade de grupos como os travestis, que geralmente estão nas ruas em condições mais marginalizadas, envolvidas com prostituição e uso de drogas devido à exclusão sofrida em outros espaços da sociedade”, explicou o antropólogo.

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O estudo aponta que a maior parte das mortes ocorreu em via pública e o assassinato de gays lidera a lista, seguido de travestis, transexuais femininas e transexuais masculinas. Além disso, os dados apontam que o Nordeste lidera o número de casos nos últimos anos.

As informações das mortes são recebidas pela instituição por vários caminhos: outras entidades, familiares, amigos das vítimas e, também, casos divulgados pela imprensa. Para o GGB, o maior desafio é a subnotificação das mortes.  

Líder mundial

O Brasil está na liderança do ranking mundial do assassinato de pessoas transexuais em 2016. De acordo com dados divulgados em novembro pela ONG Transgender Europe, até setembro foram registradas 295 mortes em 33 pessoas e 123 aconteceram no Brasil. Em segundo lugar, está o México, seguido dos Estados Unidos, Colômbia e Venezuela. 

“Há décadas o Brasil é campeão mundial nos crimes contra a população LGBT. Comparativamente aos EUA, por exemplo, matamos de 30 a 40 LGBTs por mês, enquanto que lá morrem 20 por ano. O principal motivo é a LGBTfobia individual e cultural, que incrementa os crimes letais no nosso país”, diz Mott.

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