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No Dia Internacional de Luta contra a AIDS, os números são alarmantes. Saiba como combater uma das mais perigosas epidemias da nossa época

O Boletim Epidemiológico de HIV/AIDS do Ministério da Saúde do ano de 2016 revelou dados alarmantes sobre a epidemia do vírus HIV na população brasileira. Entre as populações-chave definidas (grupos afetados com maior intensidade pela epidemia), configuram jovens e homens gays ou outros homens que fazem sexo com homens (HSH).

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Este boletim estima que 0,39% da população geral viva com HIV no país. Entre homens que se relacionam sexualmente com homens, este número cresce drasticamente: 10,5% dessa parcela da população está vivendo como vírus. E existe uma tendência de aumento.

Uso da camisinha é fundamental para combater a epidemia de HIV
morguefile
Uso da camisinha é fundamental para combater a epidemia de HIV

Entre homens, é observada maior incidência de AIDS em heterossexuais. No entanto, de 2006 até o ano de 2016, a proporção de casos em HSH passou de 35,3% para 45,4%. É importante lembrar, também, que a maior parte dos homens brasileiros é heterossexual, o que faz com que a leitura de tais dados seja ainda mais alarmante.

Sendo a comunidade gay uma população-chave, é parte fundamental da luta LGBT o combate à AIDS e a prevenção do vírus HIV. Para tal, é importante a conscientização dos indivíduos e a divulgação das políticas públicas com este mesmo fim.

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O que fazer?

O uso da camisinha é  regra . Entretanto, se a camisinha romper ou não for usada, ainda há o que ser feito. A PEP, ou PrEP, é a  Profilaxia Pós-Exposição , uma forma de prevenir a infecção do HIV. Esse é um atendimento de urgência, visto que a eficácia da PEP pode diminuir conforme o tempo passa.

O ideal é que se comece a tomar a medicação em até 2 horas após a exposição ao HIV e, no máximo, após 72 horas. O uso do medicamento deve ser feito por 28 dias seguidos, sempre com orientação médica.

É importante ressaltar que a PEP não substitui o uso da camisinha, fundamental em todo tipo de relação sexual. Para acessar o tratamento, homens gays têm prioridade por serem uma população-chave.

O porquê da epidemia

O aumento no uso de aplicativos de relacionamento, segundo um estudo do Unicef, é um dos principais fatores que desencadearam a epidemia de HIV entre jovens homens gays. "A explosão de aplicativos de paquera gay para smartphones expandiu como nunca as opções para sexo espontâneo casual", segundo relatório da pesquisa.

Facilidade do sexo casual é relacionada com aumento dos casos de infecção por HIV
Reprodução/Contraceptive
Facilidade do sexo casual é relacionada com aumento dos casos de infecção por HIV

De acordo com relatório da UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS), medidas como a permissão do casamento ou da união civil estável têm "um peso fundamental para estratégias como a de resposta ao HIV" para homens gays.

O sociólogo australiano Garrett Prestage, da Universidade de New South Wales, levanta outra questão a respeito da epidemia: a evolução da doença e de seu tratamento levou parte da população, especialmente os jovens, a verem os casos com certo descaso.

“Desde o começo dos anos 2000, a infecção é vista mais como uma doença crônica do que como uma sentença de morte. Hoje, os homens gays preocupam-se mais com os efeitos colaterais dos medicamentos do coquetel do que com a doença em si", ele afirma.

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Uma pesquisa de 2014 de um grupo de médicos norte-americanos entitulada "Estimativa do risco de transmissão do HIV por ato" mostra que existe uma estimativa maior de contrair HIV praticando sexo anal. A cada 10.000 exposições, 138 infecções ocorrem por sexo anal receptivo (passivo) e 11 infecções por sexo anal insertivo (ativo), enquanto 8 infecções são decorrentes de sexo vaginal receptivo (quem tem a vagina penetrada) e 4 infecções de sexo vaginal insertivo (quem insere o pênis na vagina).

Dessa forma, percebe-se que o fato de homens gays serem uma população-chave se deve não apenas pelo fator biológico, mas também cultural. É crucial para a comunidade LGBT que a conscientização acerca do vírus HIV e da AIDS ocorra de maneira mais contundente.

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