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A artista foi um ícone da arte contracultura da virada do século XX

No final do século XIX, em 1874, nascia Romaine Brooks. Ela foi ícone da cena artística europeia da virada do século XX, mas que logo foi esquecida pelas grandes mídias. Brooks era lésbica , artista e andrógina: um símbolo da contracultura.

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Nascida Beatrice Romaine Goddard em uma família bastante abastada, Romaine Brooks teve, apesar do dinheiro, uma infância solitária. A mãe era devotada ao irmão e a artista cresceu sem o afeto materno.

Renata Borgatti, au piano (1920), obra de Remaine Brooks
Romaine Brooks
Renata Borgatti, au piano (1920), obra de Remaine Brooks

Apesar disto, a fortuna de sua família colaborou para que Romaine Brooks pudesse seguir a vida profissional que escolheu, uma vez que mulheres dificilmente conseguiam seguir a carreira artística àquela época. Juntamente com a herança, veio a liberdade.

Brooks viveu a maior parte de sua vida em Paris, onde ela alcançou patamares em que, muitas vezes, ela era a única mulher a ocupar.

Casou-se brevemente com John Ellingham Brooks, um relacionamento conturbado que culminou com Romaine Brooks abandonando a monogamia e a heterossexualidade. A partir de então, homens não fariam parte sequer da sua produção artística.

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Brooks manteve um relacionamento não-monogâmico por 50 anos com Natalie Clifford Barney, que conheceu em 1915. Apesar do forte vínculo do casal, elas não dividiam um quarto e mantinham relações com outras mulheres.

Auto-retrato da artista lésbica Romaine Brooks, pintado em 1923
Romaine Brooks
Auto-retrato da artista lésbica Romaine Brooks, pintado em 1923

A aparência andrógina que Brooks cultivou ao longo de sua vida desafiava as definições conservadoras impostas para as mulheres àquela época, tanto na forma de se vestir como de agir. Tal comportamento ficou gravado nas tantas pinturas que Romaine Brooks assinou nos anos 1920, década de suas obras mais apreciadas pela crítica.

Brooks e Hannah “Gluck” Gluckstein, artista que Brooks retratou em uma de suas mais famosas telas, faziam parte de um pouco conhecido, mas crescente grupo de mulheres que adotava roupas e cortes de cabelo ditos masculinos.

O objetivo do coletivo não era apenas aderir à tendência andrógina em voga à época, mas também expressar sua sexualidade, deixando claro que ela eram mulheres lésbicas. Atualmente, elas seriam chamadas de lésbicas butch.

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As obras

Boa parte de suas telas são retratos intensos e, ao mesmo tempo, íntimos das mulheres de sua vida. Brooks adotou logo no começo de sua carreira uma paleta de cores que consistia, basicamente, de branco, preto e tons de cinza. Ocasionalmente, as cores variavam para para ocre, ou vermelho.

O caminho (1911), nu feminino retratado por Romaine Brooks
Romaine Brooks
O caminho (1911), nu feminino retratado por Romaine Brooks

Mesmo trabalhando e vivendo durante a mesma época e no mesmo ambiente que os modernistas, como Pablo Picasso, Brooks manteve-se fiel ao próprio estilo de produzir arte. Sua arte é contracultura da contracultura.

Em 1910, Romaine Brooks fez sua primeira exibição em uma grande galeria parisiense de arte, estabelecendo sua reputação como artista. Um pouco antes de sua morte, em 1970, Romaine Brooks doou a maior parte de suas obras.

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