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"Quando eu cheguei como caloura, não tinha permissão para usar vestidos", lembra Selena Milian. Conheça a história dessa jovem de 18 anos

Escolher a rainha do baile é uma tradição nos colégios dos Estados Unidos. E a história de uma dessas rainhas chamou a atenção e representa uma vitória após anos de luta. Selena Milian, de 18 anos, é transsexual e venceu a votação popular em sua escola. 

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Acredita-se que a aluna é a primeira transsexual a ganhar a coroa no estado americano da Carolina do Norte, local que já impôs algumas barreiras a pessoas LBGT. O estado é berço da 'lei do banheiro', que impede pessoas trans de usarem banheiros públicos de acordo com o gênero que se identificam.


A aluna transsexual Selena Milian posa após conquistar a coroa de rainha do baile
Reprodução/Facebook/Selena Milian
A aluna transsexual Selena Milian posa após conquistar a coroa de rainha do baile

Selena, que mora na pequena cidade de Spring Lake, teve de lutar pelos seus direitos, mas conta que viveu nada além de "amor e apoio".  Ao portal "TransCafe", ela conta que durante os quatro anos de ensino médio também viveu um papel de educadora.  "Quando eu cheguei como caloura, não tinha permissão para usar vestidos. Eu tive de me defender todos os dias e corrigir as pessoas em todas as partes da minha escola".

"Uma borboleta social". É assim que Selena Milian se descreve, e isso graças ao processo de transição. "Eu estava realmente deprimida, mas a transição me deu mais confiança e eu me envolvi mais nas atividades escolares", conta. "Essa é uma cidade militarista, então não é sempre a mais aberta para pessoas trans, mas isso não me impediu de ser eu mesma", completa. 

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Apesar do apoio no ambiente escolar, Selena ainda encontra discriminação em outras esferas da vida. "Meus colegas de travalho frequentemente 'me tiravam do armário' em frente dos clientes e se referiam a mim usando o nome e os pronomes errados", detalha. Devido a essas práticas discriminatórias, ela pediu demissão.

Selena promete que a coroa foi apenas o começo, e que ela quer mais: "Eu quero ajudar minha comunidade e continuar a fazer a diferença". E as mudanças já começaram a aparecer. "Depois que eu fui eleita, um aluno da minha escola veio até mim e se abriu como homem transsexual. Ele disse que o que eu fiz estava realmente abrindo portas". 

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