Tamanho do texto

Após publicar matéria sobre o uso de app de relacionamento gay por atletas dentro da Vila Olímpica, jornalista causa furor nas redes sociais

Rafaela Silva, ouro no judô, é homossexual, mas não foi citada na reportagem sobre o app de relacionamento
Divulgação
Rafaela Silva, ouro no judô, é homossexual, mas não foi citada na reportagem sobre o app de relacionamento

O jornalista Nico Hines, do portal de notícias "The Daily Beast", publicou no dia 08 de agosto uma reportagem sobre o uso de um app de relacionamento dentro da Vila Olímpica nos Jogos Rio 2016. O objetivo de Hines era investigar se os boatos sobre a grande incidência de sexo casual dentro dos alojamentos eram verdade ou não. Para tal, o repórter criou contas em app de relacionamentos, tais como Tinder, Bumble e Grindr .

"A imagem que se faz dos gays é altamente caricatural e distorcida"

Com pedido de casamento gay, Rio 2016 da visibilidade à causa LGBT no esporte

Segundo a publicação, o que mais gerou retorno foi o Grindr , app de relacionamento gay. Em uma hora, Hines já havia sido chamado para três encontros sexuais. O repórter disse que essa resposta não era uma surpresa.

Tão logo foi ao ar, a reportagem foi fortemente reprovada por internautas e também pela imprensa. Jornalista especializado na causa LGBT , Mark Joseph Stern escreveu para o portal de notícias "Slate" que "Hines não se surpreende pois acredita que gays são mais promíscuos que héteros - questão que Hines aborda constantemente ao longo de sua matéria".

Usuários do Twitter por todo o mundo se queixaram do teor homofóbico que viram tanto na forma como Hines escreveu como na proposta de sua abordagem.



Stewart McDonald twitta: "A 'história' de @NicoHines sobre o Gindr e a Vila Olímpica não é jornalismo. É, no melhor dos cenários, inútil e, no pior deles, incrívelmente perigosa", em uma tradução livre para o português.

Exposição

O que gerou maior revolta contra o autor foi que, na publicação original, constavam dados dos atletas com os quais ele deu match. Um dos desportistas, que defende a bandeira do Cazaquistão, teve sua altura e peso divulgados. A perseguição contra homossexuais no país é intensa e questionaram tanto o jornalista quanto o próprio "Daily Beast" acerca da irresponsabilidade de tal exposição.

O YouTuber Cold Ledford twitta: "Tirar pessoas LGBTQ do armário não é jornalismo. É uma busca por atenção em um nível criminoso e coloca a vida deles em perigo. Que vergonha, @NicoHines. Um desses atletas é de um país anti- LGBT e agora pode ter de lidar com perseguição, ou até ser forçado a fugir. Mas espero que seu artigo tenha valido a pena".

Conheça o projeto social que levou a campeã Rafaela Silva para o esporte

Lea T, a transexual que vai fazer história na abertura da Olimpíada

Diante da resposta negativa do público, a reportagem sofreu diversas modificações, como edição no título e remoção das informações sobre os atletas. Na quinta-feira, dia 11, o "Daily Beast" decidiu remover a matéria do ar e, mais tarde, publicou um pedido de desculpas. Os internautas acham pouco e pedem que as credenciais do repórter sejam retiradas. 




Rio 2016 é a edição com maior visibilidade à causa LGBT. A modelo transexual Lea T participou da abertura dos Jogos - entrou no estádio do Maracanã à frente da delegação brasileira; a jogadora de rugby Isadora Cerullo foi pedida em casamento ao vivo por Marjorie Enya, sua, agora, noiva; assistimos Rafaela Silva, lésbica assumida, conquistar o ouro no judô e correr para os braços de sua namorada para comemorar, como fez o britânico Tom Daley com seu noivo após conquistar o bronze no salto sincronizado. Apesar disso, ainda há casos de LGBTfobia, como o do jornalista Nico Hines. A invasão do app de relacionamento gay e exposição dos usuários preocupa não apenas os atletas, mas toda a população LGBT.

    Leia tudo sobre: Gay
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.