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Ação dos jovens causou muita repercussão, nas redes sociais houve diversos comentários acusando a escola de incentivar a homossexualidade

Lutar contra o preconceito não é só um dever de quem sofre algum tipo de discriminação. Foi com esse pensamento que os alunos do 9º ano de Escola Municipal Hylda Vasconcellos, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, tiveram a ideia de fazer um casamento homoafetivo  na tradicional festa julina do colégio.

Alunos encenam casamento homoafetivo na luta contra o preconceito
Arquivo pessoal
Alunos encenam casamento homoafetivo na luta contra o preconceito


Tudo começou nas aulas de português, os alunos estavam estudando sobre o preconceito contra a mulher e pensaram que seria importante chamar atenção para outro tabu da sociedade: o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O estudante Igor Gomes Mendonça, de 15 anos, conta que a história é sobre um casamento forçado. Na hora da cerimônia, a amante da noiva aparecia e falava que queria se casar com ela, a solução apresentada pelo celebrante – papel que foi interpretado pelo jovem – foi dizer que: "já que a noiva ia casar com a amante, ele iria se casar com o noivo."

A ideia foi passada para a coordenação da escola e a iniciativa foi autorizada. “Nós concordamos porque não vimos problema. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional essa é uma discussão que faz parte da grade curricular e é um tema transversal, o que significa que pode ser trabalhado em qualquer disciplina”, explica a vice-diretora da escola, Juliana Campos.

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Repercussão

Já na semana dos ensaios começaram os problemas. Juliana conta que alguns pais, principalmente os das crianças menores, foram até a escola reclamar e disseram que não deixariam os filhos irem à festa. No dia, a família de uma aluna da turma do 9º ano - classe que iria fazer o casamento - a proibiu participar e seu papel teve que ser feito por uma professora.

Igor conta que no dia da apresentação a aceitação das pessoas que assistiram foi muito boa e que houve muitos aplausos. “Os alunos gostaram muito. Encenamos esse casamento para que tenha mais respeito, pois ser homossexual não é um mal para ninguém. E também queremos chamar atenção para os outros tipos de bullying que presenciamos na escola”, expõe o estudante.

Redes sociais

 O caso acabou sendo noticiado em um jornal local e a repercussão foi enorme. Nas redes sociais, houve diversos comentários dizendo que a escola estava incentivando a homossexualidade . “Um dos comentários falava que eu só poderia ser gay para estar uma apoiando essa pouca vergonha. Mas isso não tira em nada a minha vontade de defender quem sofre preconceito”, revela a vice-diretora.  

Segundo Igor, depois dessa repercussão muitos alunos começaram a falar que os pais queriam transferí-los de escola . Uma família chegou a fazer uma denúncia no Ministério da Educação (MEC) e Juliana diz que fez questão de ir pessoalmente ao local para dar uma explicação. Ela ainda afirma que a todo momento o MEC ficou ao lado da escola.

Como proposta para o próximo semestre, a vice-diretora conta que a escola quer levar alguém que domine o assunto para falar sobre a questão do preconceito e da igualdade de gêneros com os pais, alunos e professores. Por fim, ela revela que não se arrepende de ter autorizado a apresentação dos alunos e que a escola continuará apoiando esse tipo de iniciativa.

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