Tamanho do texto

Segundo o Estado Islâmico, "um homem que pratica sodomia deve ser jogado do ponto mais alto da cidade"

Mãe relata desespero em busca por filho após tiroteio em boate gay de Orlando
Reprodução/BBC


Mais um ato de barbárie parece ter foco nos homossexuais. Considerado o maior massacre da história dos Estados Unidos, o  tiroteio na casa noturna gay Pulse , na madrugada deste domingo (12), em Orlando, na Flórida, deixou aproximadamente 50 mortos e 53 feridos, segundo autoridades locais.

Pai do suposto atirador infprmou que filho tinha ódio de gay s. Em entrevista à emissora "NBC News", ele disse que seu filho, Omar Sediqque Mateen, já havia manifestado sua opinião radical anteriormente.

"A questão religiosa não tem nada a ver com isso. Ele viu dois homens se beijando em Miami há alguns meses e ficou muito irritado. Estamos chocados como o resto dos EUA", disse Mir Sediqque. Segundo ele, Omar ficou indignado que seus filhos vissem aquela cena.

Jovens ficam abalados após tiroteio em boate gay nos Estados Unidos
Reuters
Jovens ficam abalados após tiroteio em boate gay nos Estados Unidos


Identidade do atirador

Segundo as autoridades consultadas pela emissora "CBS", Omar Mateen tem 29 anos, nasceu nos Estados Unidos e vem de uma família de afegãos.

Agora, está sendo investigado a possibilidade dele estar ligado a algum grupo terrorista - apesar de não ter sido encontrada nenhum evidência real dessa ligação. Representante do FBI disse que está muito cedo para ter conclusões sobre a natureza do crime.

No momento, há uma vasta investigação sobre os laços familiares do atirador e de seu comportamento nas redes sociais para tentar identificar as motivações do crime. As primeiras informações relatam que ele portava um rifle e uma outra arma não identificada.

Comoção toma conta de moradores de Orlando após massacre
Reuters
Comoção toma conta de moradores de Orlando após massacre


Sem julgamentos antecipados

O presidente da Sociedade Islâmica da Flórida Central, Muhamad Musri, alerta a mídia para que não façam julgamentos antecipados ainda e diz que um ato como este não poderia ser previsto: "Poderia ter acontecido em qualquer lugar, como um raio".

Gay é atirado de cima do prédio por extremistas do Estado Islâmico na Síria
Reprodução
Gay é atirado de cima do prédio por extremistas do Estado Islâmico na Síria


Outros casos

Não é de hoje que radicais islâmicos executam gays em todo o mundo. Notícias e registros em vídeo de homossexuais atirados de telhados e edifícios como “punição” são recorrentes.

Há pouco mais de um ano, um homem de olhos vendados foi jogado do alto de um prédio na cidade de Tal Abyad, na Síria, acusado de ser gay. As imagens foram publicadas pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos (SOHR, na sigla em inglês). Essa cena se repete constantemente, mas é tem pouco espaço na grande mídia.

Por que radicais islâmicos matam gays

Os tribunais baseados na sharia, a lei islâmica, baseiam-se no trecho do Corão em que os habitantes de Sodoma (“o povo de Lot”) são mortos por se aproximarem dos homens, e não das mulheres (26:165-166).

Charles Lister, do instituto Brookings Doha Center, concluiu uma pesquisa analisando o cenário geopolítico e social do mundo muçulmano e descreve no documento, entitulado “Traçando o perfil do Estado Islâmico”, a proposta de governo islâmico do ISIS (Islamic State of Iraq and ash-Sham): “A implementação de uma forma estrita da sharia (conjunto de leis islâmicas) é claramente central para a governança do ISIS. Isso inclui a imposição da hudud (punições islâmicas fixas para crimes graves), aplicação das cinco orações diárias, proibição de drogas , álcool e tabaco; controle da aparência pessoal, incluindo vestuário; proibição de jogos de azar, de música não- islâmica, e mistura de gênero; e a destruição de santuários religiosos, entre outras regras”.

"Ser gay é uma sentença de morte"

No ano passado, o estudante de medicina Taim (nome fictício), de 24 anos, contou à "BBC" como escapou desse destino numa fuga do Iraque ao Líbano.

"Na nossa sociedade (iraquiana), ser gay é igual a uma sentença de morte. Quando o EI mata gays, muitos ficam felizes porque pensam que somos doentes."

Ele foi ameaçado pelo Estado Islâmico e depois pela própria família. Religioso, o pai disse que o entregaria ao grupo se ele realmente fosse homossexual.

"O Islã se opõe à homossexualidade. Meu pai me fez estudar a sharia (lei islâmica) por seis anos porque queria que fosse religioso como ele. Há um hadith (narrativas e pregações atribuídas ao profeta Maomé) que recomenda que homens gays sejam jogados de desfiladeiros, e depois que um juiz ou um califa decida se devem ser queimados ou apedrejados até a morte", disse Taim na entrevista.

Mas, segundo o pesquisador do Islã Usama Hasan, da Fundação Quilliam, há controvérsias sobre se Maomé realmente pregava contra gays.

Ele afirma que há muitos hadiths atribuídos ao profeta Maomé e seus discípulos sobre o tema da punição a homossexuais. "Contudo, todos são controversos e nunca houve consenso sobre seu conteúdo, principalmente porque eles parecem contradizer o Alcorão, 4:15-16."

Ele acrescenta que alguns estudiosos afirmam que Maomé não poderia ter dado nenhuma ordem do tipo porque nunca teria tido conhecimento de nenhum episódio confirmado de homossexualidade.

Infelizmente, não é apenas o Estado Islâmico que persegue homossexuais. A associação Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Intersex Association fez um levantamento no qual relata que 73 países consideram a homossexualidade um crime. Em 13 desses países, a pena de morte é a punição.

Cenas da tragédia: 50 mortos e 53 feridos em massacre em boate gay nos Estados Unidos
Reuters
Cenas da tragédia: 50 mortos e 53 feridos em massacre em boate gay nos Estados Unidos



    Leia tudo sobre: Estado Islâmico
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.