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Rodolfo Faraone participou de um reality show, encarou preconceito e viu sua mãe sofrer agressões de homofóbicos

O reality show "Troca de Família" foi famoso na Record e, há sete anos, contou com Rodolfo Faraone como um dos participantes. O programa reunia duas famílias e as mães eram trocadas por uma semana. Todos precisavam se adequar à nova rotina. 

Rodolfo e sua mãe sofreram com a experiência. "A repercussão não foi nada boa para mim, homossexual, que na época tinha apenas 20 anos", conta. Ele acabou sofrendo agressões físicas na rua por ser gay e sua mãe também foi alvo de preconceito e chegou até a levar pedradas. 

Rodolfo Faraone sofreu agressões ao participar do programa
Reprodução/Facebook
Rodolfo Faraone sofreu agressões ao participar do programa "Troca de Família", há 7 anos

O jovem amadureceu, foi pai e seguiu seu caminho. Ele é formado em moda, tem pós-graduação em jornalismo de moda e se divide entre dois universos: "Faço trabalhos de produção de moda e como barista, minha mais recente paixão". 

Amor? Por enquanto não. "A vida agitada não me dá tempo para um relacionamento e sinceramente nunca fui muito bom nisso, então aproveito o tempo livre para ficar com amigos, família e a natureza". 

Ao iGay, ele conta detalhes da vida, como foi a adolescência, a dor de ver a mãe sendo agredida e os desafios da paternidade. 

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Adolescência roubada pelo preconceito 

Fui um jovem ácido e infeliz por conta de uma adolescência roubada pelo preconceito. Eu sempre enfrentei tudo, mas minha grande guerra era comigo mesmo: me aceitar e saber perdoar olhares maldosos, comentários abusivos. Sair por aí com o cabelo azul e um soco inglês para brigar com os homofóbicos não ia mudar nada, apenas me igualaria a eles.

Durante toda a vida Rodolfo teve apoio da família
Reprodução/Instagram
Durante toda a vida Rodolfo teve apoio da família

Comunidade gay

Nem sempre a homofobia vem sozinha, muitas vezes ela vem acompanhada do machismo, sexismo e principalmente do ódio e isso às vezes ocorre dentro da própria comunidade gay, que te dita regras de como se vestir e se portar.

Familiares em risco

Tudo o que aconteceu comigo e com minha mãe foi muito triste. Aliás, é triste quando se você mesmo coloca em risco as pessoas que ama. Mas a compreensão tem que partir do prejudicado. Não coube e nem caberá a mim julgar, até porque não conheço a realizade dessas pessoas. Só as desejo amor e um pouco de sabedoria.

Apoio da família

Por opção deles, minha família sempre esteve a meu lado. Eu nunca precisei fazer discurso para contar para minha família que era homossexual, tudo aconteceu de forma natural. Tenho na memória até hoje algo que eles falaram: "Sempre soubemos. Você tem três irmão héteros e cada um tem sua maneira de se mostrar e essa é a sua. A gente te ama e entende que você nasceu assim. Sempre foi diferente dos outros".

Sou muito grato por todo esse apoio e infelizmente tenho amigos que não tiveram a mesma sorte que eu. De vez em quando empresto, minha mãe para eles. 

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Pai de um garoto de 2 anos

Hoje sou pai de Lorenzo, que completou 2 anos agora. Ele tem contato com gays e não acha estranho, pelo contrário, para ele é muito natural. Uma vez ele me perguntou se um casal de amigos meus que havia dado um beijo se amava. Respondi que sim e ele rebateu: "Igual a vóvó e o vovô? Eu e você?". Eu e minha mãe nos emocionamos porque as crianças são puras entendem mais de amor do que nós. 

Não lembro de um dia acordar e pensar "Ah! essa aqui é minha mãe hetero, e vou amá-la". Não, ela sempre esteve ali, e com o Lorenzo é o mesmo. É uma criança saudável, alegre e muito amada.  Na paternidade descobrimos que vamos doar todo amor que temos à alguém sem esperar que isso volte. Às vezes uma risadinha dele já valeu a pena tudo. 

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Uma foto publicada por rodolfo faraone (@rodolfofaraone) em


*Rodolfo Faraone participou do programa "Troca de Família" há 7 anos. Hoje, com 27 anos, é formado em moda e pós graduado em jornalismo de moda. Atualmente trabalha como barista e produção de moda e conta sua história ao iGay.



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