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Em participação no "Programa Sílvio Santos", Patrícia Abravanel declarou ser contra "falar que é normal" uma relação entre pessoas do mesmo sexo

Silvio Santos comentou sobre o filme "Carol", que mostra o romance entre uma jovem e uma mulher de meia idade, durante seu programa no domingo (8) e pediu a opinião dos convidados sobre duas mulheres se amarem "como se fossem homem e mulher".

Quando chegou a vez de Patrícia Abravanel , que é evangélica, falar, ela disse que "acha que o jovem é muito imaturo para saber o que quer. A gente tem que firmar que homem é homem e mulher é mulher" e que "não é contra o homossexualismo, mas contra falar que é normal. E outra, mulher com mulher não é tão legal assim . Não tem aquele brinquedo que a gente gosta bastante.". 

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Patricia Abravanel deu algumas declarações homofóbicas durante programa
Divulgação
Patricia Abravanel deu algumas declarações homofóbicas durante programa

Querida Patrícia, acho que você está um pouco perdida em meio a tantas afirmações contestadas com tamanha vêemencia em rede nacional. Dizer “eu não quero misturar religião” tendo em vista que sua opinião é claramente fundamentada em príncipios religiosos e “eu não sou contra o homossexualismo, eu sou contra falar que é normal” só atestam o quão contraditória você conseguiu ser em míseros 2 minutos e 5 segundos.

Aliás, gostaria de aproveitar este espaço para retificar que o prefixo ismo em homossexualismo foi retirado há anos, visto que o mesmo remete a doenças e era utilizado justamente por gente que olha para os homossexuais e os vê como gente anormal. Afinal, se a homossexualidade (olha o prefixo!) não é “normal” ela só pode ser “anormal”, certo?

Anormal é querer esconder do mundo que existem pessoas diferentes e ao invés de aproveitar o espaço midiático nacional para pregar o respeito mútuo, usar o mesmo para exarcebar preconceito e dar um show de horrores.

São incontáveis e intermináveis os estudos que comprovam que a homossexualidade é natural até mesmo dentro do reino animal, e que obviamente entre todas as espécies existentes, a única que insiste em ter problemas com isso é o ser humano, que não sabe aceitar que somos todos diferentes uns dos outros.

Portanto, a apresentadora se fundamenta em ideologias pessoais para definir o que é normal e o que não é, o que deve ser socialmente aceito e difundido e o que deve ser escondido para não criar influências (olha isso!) na sociedade. Diante disso, sinto informar que o mundo não gira em torno do seu umbigo. E me atinge diretamente quando uma mulher vai em rede nacional dizer que eu não sou normal, ou que meu comportamento não é normal.

Anormal é não querer a felicidade dos outros. Anormal é não querer que os outros sejam livres. Anormal é querer esconder do mundo que existem pessoas diferentes e, ao invés de aproveitar o espaço midiático nacional para pregar o respeito mútuo, usar o mesmo para exarcebar preconceito e dar um show de horrores.

“Um terço dos jovens se relaciona com pessoas do mesmo sexo” e por que em nome de Cher isso seria um problema? Eu acharia um problema se fosse “Um terço dos jovens está roubando e matando” ou “Um terço dos jovens está sem educação básica”. Isso sim seria um problema. Aventurar-se sexualmente para descobrir-se melhor não é um problema. Sentir tesão por pessoas do mesmo sexo não é um problema.

Mas eu não venho por meio desta apresentar argumentos científicos ou que comprovem a naturalidade da homossexualidade. Aliás, Patrícia Abravanel também diz: “Mesmo sem saber se a opção deles é essa [homossexual]”. Mas e qual o problema se for, de fato, uma opção? O que você tem com a vida dos outros? O que você tem contra a satisfação ou felicidade alheia?

Eu quero, por meio desta, te provar que na verdade o que não é de fato normal seria o teu jeito de pensar. Se a sua felicidade é fundamentada no comportamento de outras pessoas, tem algo errado ai. Você acha que é normal querer que as pessoas se comportem do jeito que você acha melhor somente pelo seu bel prazer por que você é incapaz de lidar com diferenças?

Eu não sei a origem da homossexualidade. Eu não sei se as pessoas nascem assim ou se elas se tornam, não sei se elas são programáveis ou recondicionadas a isso e francamente isso não importa para mim. E certamente não deveria importar para a apresentadora.

Pois o que eu acho normal é querer que o outro seja feliz independente de nossas diferenças. E se você não consegue pensar assim, bom, tem algo de anormal aí.

PS: Tenho certeza que lésbicas conhecem maneiras incríveis e deliciosas de se satisfazerem sem um “brinquedinho”, afinal, ainda existem muitos dedos e língua para serem utilizados.

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Renan Oliveira é o novo colunista do iGay
Arquivo pessoal
Renan Oliveira é o novo colunista do iGay

*O paulistano Renan Oliveira , 19 anos, começou a produzir conteúdo na internet para se conectar com o mundo e foi capturado pelo iGay para mostrar seu ponto de vista bem-humorado por aqui.

Futuro estudante de cinema, a maior inspiração na telona é o cineasta Xavier Dolan (sim, o que fez "Hello" da Adele). Já no Youtube, gosta do Luba e da Jout Jout. Pisciano sonhador, ainda acredita em "Telephone" part 2 (aquele clipe da Lady Gaga com a Beyoncé, saca?). 

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