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Pôsteres lambe-lambes são produzidos em diversos tamanhos e cores, mas você já reparou nas mensagens que eles trazem?

Em São Paulo, entre poemas e pôsteres feministas, surge o projeto colaborativo LGBTour . Os lambe-lambes trazem frases que dão visibilidade às orientações sexuais, identidades de gênero e deixam a cidade mais colorida. As artes estão disponíveis no site do projeto para serem baixadas, impressas e coladas por qualquer pessoa.

Lambe-lambes estão espalhados pela capital paulista
LGBTour
Lambe-lambes estão espalhados pela capital paulista


Gabriela França , 20 anos, é estudante de design da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e criadora do projeto. A ideia surgiu durante uma noite sem sono. "Naquele dia, eu fui à uma palestra de um artista alternativo e ele incentivou as pessoas a seguirem com seus próprios projetos. Cheguei em casa, fiquei pensando nisso e decidi fazer uns adesivos para colar pela cidade", conta a estudante. Uma das amigas de Gabriela sugeriu que lambe-lambes chamariam mais atenção. "Eu não sabia fazer e fui atrás da menina que criou o projeto Frida Feminista. Nós saímos juntas, ela me ensinou a fazer a cola e eu comecei o projeto".

Alguns cartazes foram colados na frente da ESPM e já foram arrancados. "Eu não vi ninguém arrancando, mas já tem outros cartazes de festa colados em cima e alguns foram rasgados. É uma forma de provocação, então é óbvio que isso vai acontecer, é chato, mas é normal. Resistência é isso, a gente vai lá e cola de novo", afirma a estudante.

A jovem diz que não tem medo de sofrer represália: "Por ser militante, eu estou acostumada a essas coisas. Quando eu estou colando as pessoas olham meio estranho, olham feio. Um dia, uma mulher saiu da loja dela para brigar comigo e eu falei que o poste é da prefeitura. Ela não pode fazer nada, o poste não é dela. Faz parte...".

Os lambe-lambes trazem um retorno positivo e dão visibilidade à população LGBT. "Não tem lambe-lambe gay na rua. Então isso dá visibilidade para outros tipos de sexulidade e orientação de gênero também. Por exemplo, tem lambe sobre assexuais e bissexuais, que é uma coisa que as pessoas não falam. O projeto mostra que o espectro é muito maior. E as pessoas se interessam, olham e tiram foto", diz Gabriela.

O próximo passo de Gabriela é organizar oficinas para ensinar a fazer cola e dar orientações para as pessoas que desejam espalhar o projeto. Ela conta que já recebeu fotos de lambe-lambes colados no interior de São Paulo e cidades de outros estados. E não para por aí: "Algumas meninas e meninos moram fora do Brasil e me pedem para fazer a arte de outras cidades, como Nova York e Londres".

Adriellen Martins , 19, decidiu colorir a Universidade Federal de São João del-Rei, em Minas Gerais. A estudante de filosofia imprimiu e colou os lambes, porque queria que as pessoas percebessem a existência do movimento LGBT na região e que há bandeiras a serem levantadas. "Moro em uma cidade histórica, e, consequentemente com uma cultura cristã um conservadorismo muito grande, por isso acho interessante estar sempre dando visibilidade ao movimento", conta.

Se você quer fazer um lambe-lambe costumizado com o nome da sua cidade ou faculdade, pode fazer o pedido para Gabriela. Para participar do projeto LGBTour basta acessar o site: http://lgbtour.tumblr.com/ .





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