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Primeira transexual a receber o troféu "Mulher Cidadã" luta contra preconceito e deseja que outras trans ganhem o prêmo

Pela primeira vez na história, o troféu "Mulher Cidadã", concedido às mulheres de destaque na sociedade Do Rio Grande do Sul, foi entregue à uma transexual. A cantora Valéria Houston foi premiada e confessou ao iGay que não sabia o quanto isso significava. "Já tinha dado uma importância imensa para o prêmio por não estar só representando a mim, mas toda uma fatia da população, que são as trans. Principalmente as trans negras. Então, pra mim, isso foi de uma importância sem poder medir".

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Valéria Houston foi a primeira transexual a ganhar o prêmio
Gerson Roldo
Valéria Houston foi a primeira transexual a ganhar o prêmio "Mulher cidadã"


Aos 36 anos, a cantora gaúcha ficou famosa no meio LGBT por fazer cover de Whitney Houston, além de atuar na defesa dos direitos e contra o preconceito no Brasil. "Espero ter aberto o caminho para muitas outras (transexuais). Não só pela causa trans, mas pela dignidade", diz.

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Valéria Houston
Gerson Roldo
Valéria Houston

Valéria nasceu e viveu por muito tempo em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul. Segundo ela, os motivos que a fizeram sair de lá para ir à capital gaúcha foi o preconceito e a falta de oportunidades. Hoje, além de cantar, ela trabalha como recepcionista em um hotel. 

"No momento, estou focando em trabalhar. Me separei faz 9 meses e ainda não estou muito bem", explica ela, que foi casada por quase 5 anos. "A relação desgastou por muitos motivos e, além disso, a família dele não me aceitava". 

Família

Muitas vezes, o preconceito está dentro de casa e com Valéria não foi muito diferente. "No início, minha família ficou meio receosa", diz. Mas, para ela, a única opinião que realmente importava era de sua mãe. "Quando contei, ela ficou uma semana sem falar comigo. Depois, voltamos a nos falar e viramos melhores amigas. Ela que importava, o resto nunca interessou muito. Sei que não gostam, mas me respeitam bastante. O que mais me chocou foi saber o que eu não era, porque eu era menina na minha cabeça. Descobrir que eu era menino me chocou". 

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Luta diária, constante e duplicada

Pode-se dizer que Valéria sofre preconceito duas vezes: por ser transexual e por ser negra. "Tem sido uma luta diária, constante e duplicada". Apesar disso, ela conta que aprendeu a levar tudo numa boa. "Já foi um problema maior. Hoje em dia, levo numa boa. Aprendi a tirar de letra, a me defender com respostas inteligentes".

Futuro

Valéria não gosta de fazer planos para o futuro, mas ela tem um desejo: "Queria ver outras trans ganhando o prêmio, que as pessoas perdessem esse estigma e os preconceitos fossem colocados fora, que não fossem guardados". 


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