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O autor Lufe Steffen diz sentir falta de produções sobre bissexualidade, homens trans e desconstrução dos conceitos de masculino e feminino

Cena de “Café com Leite”, de Daniel Ribeiro, uma das produções analisadas no livro “O Cinema que Ousa Dizer seu Nome”
Divulgação
Cena de “Café com Leite”, de Daniel Ribeiro, uma das produções analisadas no livro “O Cinema que Ousa Dizer seu Nome”

As produções de filmes, curtas-metragens e livros LGBT aumentaram consideravelmente durante os últimos anos, principalmente com as discussões sobre a temática na sociedade.

Para analisar e buscar entender um pouco as referências e ideias dos realizadores, Lufe Steffen reuniu 23 entrevistas com cinegrafistas e autores, que lançaram produções do gênero entre 1995 e 2015, no livro “O Cinema que Ousa Dizer seu Nome” (Editora Giostri).

Para o cineasta paulistano, as abordagens sobre a comunidade LGBT transformaram-se nos últimos 20 anos. “Elas mudaram no sentido de passar de uma visão mais cômica, leve, descompromissada, muitas vezes escrachada e quase sempre divertida, para uma visão mais séria, com mais sensibilidade e densidade, problematizando as questões e aprofundando os temas”, compara Lufe. 

Cena de “Jiboia”, de Rafael Lessa
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Cena de “Jiboia”, de Rafael Lessa

O autor assistiu a todos os filmes antes de conversar com os cineastas e revela uma curiosidade: ele é o 24º entrevistado para o próprio livro. “Achei que eu mesmo devia ser entrevistado já que sou um cineasta e todos os meus 11 filmes também estão focados no mundo gay.”

Ele diz ainda que a inspiração veio do músico Glenn Gould, que tinha mania de auto entrevistar. “Por mais bizarro e egocêntrico que isso possa parecer, acredito que foi a opção mais justa e coerente no caso. Então tratei o Lufe Steffen cineasta como se ele fosse outra pessoa, como se fosse mais um cineasta entre os 23 que eu tinha entrevistado”, completa.

Representatividade trans

Lufe acredita que o “T”, que representa travestis, transgêneros e transexuais, continua sendo a mais enigmática do rótulo LGBT por conta do preconceito e ignorância da sociedade em geral.

Lufe Steffen:
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Lufe Steffen: "Achei que eu mesmo devia ser entrevistado já que sou um cineasta e todos os meus 11 filmes também estão focados no mundo gay"

“O segmento T continua sendo o mais discriminado da comunidade LGBT. Por isso, talvez, seja um desafio maior focalizar esse segmento nos filmes. Mas acredito que esse panorama está mudando rapidamente”, diz.

O autor considera que ainda há temas pouco abordados pelas produções sobre o gênero. “A existência da bissexualidade de fato; a questão dos homens transexuais (mulheres transexuais são mais comuns nos filmes); o direito da pessoa mudar de sexualidade quando quiser; a destruição dos conceitos de masculino e feminino”, enumera.

Dentre as produções analisadas estão “Jiboia”, de Rafael Lessa, “O Pacote”, de Rafael Aidar, “Homem Completo”, de Rui Calvo e “Café com Leite”, de Daniel Ribeiro.

O livro “O Cinema que Ousa Dizer seu Nome” será lançado em 23 de janeiro no Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt, 158, em São Paulo, das 17h às 20h.

Cena de “Homem Completo”, de Rui Calvo
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Cena de “Homem Completo”, de Rui Calvo


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