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Youtubers abordam temas polêmicos no meio LGBT e atraem milhares de fãs nas redes socias

O "Canal das Bee", "Põe na Roda" e "Chá dos 5" são nomes que você pode nunca ter ouvido falar, mas muita gente conhece, assiste e compartilha o que eles têm a dizer.

Jéssica e Fernanda, do Canal das Bee
Reprodução/Facebook
Jéssica e Fernanda, do Canal das Bee

Somando os três canais citados, são mais de 500 mil pessoas inscritas no YouTube e mais de 40 milhões de visualizações dos vídeos que abordam assuntos da comunidade LGBT com humor e responsabilidade.

Os youtubers, como são conhecidos, postam vídeos exclusivamente para o YouTube sobre determinado assunto ou para públicos específicos. As publicações, geralmente, são feitas semanalmente e atraem espectadores fiéis que aguardam, ansiosamente, cada postagem.

É um tema muito carente de informação, entretenimento e ajuda"

Jéssica Tauane, que faz o  Canal das Bee  com Fernanda Soares e outros integrantes, diz que começou a publicar vídeos depois de passar por momentos difíceis até entender sua sexualidade. "Sempre fui muito cristã, gostava de ir à igreja, mas ouvia que minha sexualidade era pecado e que eu ia para o inferno", diz ela, que se identifica como gay.

Da tentativa de suicídio ao vídeo

Ela conta que sofreu de depressão nesse período. "Já quis me matar, foi uma coisa meio trágica na minha vida", releva. Após superar a depressão, Jéssica entendeu que poderia fazer algo para ajudar quem passa pelo mesmo processo.

Em dois anos, o canal já entrevistou grandes personalidades na comunidade LGBT, como a cartunista Laerte e a presidenciável Luciana Genro. "Não imaginava que teria o alcance que tem. E dá pra perceber que é um tema muito carente de informação, entretenimento e ajuda", completa.

De virgindade a pompoarismo anal

Cada canal tem seu próprio formato e dinâmica de publicações. Os vídeos variam de esquetes humorísticas (muitas relacionadas a sexo) a entrevistas que são compartilhadas em determinados dias da semana, como um programa de TV.

Reprodução/Facebook
"É o jovem que incomoda o velho conservador que está lá sentado na Câmara tentando nos fazer voltar à Idade Média", diz Pedro HMC, do Põe na Roda

Pedro HMC, do Põe na Roda , diz que o começo foi aos poucos, com equipamentos emprestados. "Em abril, lancei o primeiro vídeo do canal que de cara teve uma repercussão bem grande, já que muitos blogs e sites gays compartilharam; era um vídeo de humor relacionando gays à falta de água", diz ele, que já deu dicas até de pompoarismo anal na rede.

E na rede, esses jovens influenciam e geram debates sociais e importantes. Porém, nem todos os temas são tratados facilmente. Pedro HMC revela que foi díficil abordar assuntos sobre a população trans. "Foi um grande desafio porque ainda é algo muito novo politicamente falando", afirma.

Reprodução/Facebook
"Precisamos reeducar sim, se for preciso, a população para que no futuro tenhamos um mundo cada vez menos intolerante", afirma Matheus Faro, do Chá dos 5

Ele desconhecia alguns aspectos sobre o tema mesmo pertencendo à comunidade LGBT. "Até pouco tempo atrás, para a sociedade, a questão de transexualidade e gênero nem era discutida. E nós, como gays e cisgêneros, também éramos ignorantes em muita coisa", completa.

HIV, Família Homoafetiva e mais

Matheus Faro, do canal Chá dos 5 , concorda e diz que os assuntos mais difíceis são os que fogem da realidade deles. Por isso, consultam um especialista sempre que o assunto é mais delicado. "Nosso público está cada dia mais exigente e querendo sempre que abordemos assuntos sérios e com conteúdo", diz.

Segundo ele, os assuntos mais repercutidos do canal são HIV, família homoafetiva, gênero não binário e homofobia.

"Vamos fazer um escândalo"

Seja nas redes sociais ou nas manifestações de rua, o jovem está constantemente presente na militância contra a intolerância, como a homofobia, transfobia, lesbofobia, bifobia ou machismo.

Vai ser gay lá no interior do Acre, onde só tem você, é uma solidão enorme"

Ser lésbica em São Paulo é fácil

Jéssica ressalta a importãncia da união mesmo virtual entre eles. "Ser lésbica em São Paulo é muito fácil, você consegue encontrar outras pessoas como você. Agora vai ser gay lá no interior do Acre onde só tem você, é uma solidão enorme. Pelo YouTube, tentamos acabar com essa solidão e ajudar essas pessoas", completa.

Idade Média nunca mais!

Pedro HMC destaca a importância da luta dos jovens pela igualdade e contra o preconceito. "É o jovem, com seus novos pensamentos e mente mais aberta, que incomoda o velho conservador que está lá sentado na Câmara tentando nos fazer voltar à Idade Média", diz.

Matheus acredita que o jovem não deve se calar diante da exclusão e preconceito. "Todos merecem ser respeitados e ter todos seus direitos cumpridos, precisamos reeducar sim, se for preciso, a população para que no futuro tenhamos um mundo cada vez menos intolerante."



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