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Fernanda Houston compara-se à cantora austríaca : "Agora entendo que é possível ser a combinação dos dois gêneros"

“Eu era uma pessoa que não me entendia muito bem. Não sabia se era homem ou mulher. Minha imagem era masculina. Sou descendente de indiano, tenho barba
Chames Oliveira/iG
“Eu era uma pessoa que não me entendia muito bem. Não sabia se era homem ou mulher. Minha imagem era masculina. Sou descendente de indiano, tenho barba", diz Fefê Houston

Os cabelos longos, a barba cerrada e os trajes femininos não deixam dúvida de que a cantora drag austríaca Conchita Wurst é referência para Fernanda Houston, de 20 anos, que chama a atenção pelos corredores da Bienal do Parque do Ibirapuera durante o SP Fashion Week. “Pode me chamar de ela. Sou uma girl”, avisa logo para acabar com qualquer dúvida do interlocutor.

Também sou atriz. Então, de vez em quando volto a me vestir como homem, principalmente para encarnar algum personagem”

Fefê, como gosta de ser chamada, se apresenta como cantora drag e conta que há um ano passou a vestir-se como mulher, mas sem deixar de incorporar a imagem masculina quando deseja. “Eu era uma pessoa que não me entendia muito bem. Não sabia se era homem ou mulher. Minha imagem era masculina. Sou descendente de indiano, tenho barba. Por outro lado, queria usar coisas femininas, mas não tinha coragem”, conta. “Tudo mudou quando conheci a Conchita e me reconheci. As pessoas relacionavam minha imagem à dela. Coloquei uma peruca e vi que realmente éramos parecidas. Não só esteticamente. Ela canta, e eu também canto”, completa.

Desde então, Fefê adere a identidade feminina na maioria dos dias, mas revela que no início tinha dificuldades de circular como mulher em lugares públicos. “Na primeira vez que me montei, saí com uma calça de cintura alta, regata e salto alto. Não consegui usar um vestido, era difícil”, lembra.

Às vezes, ela retira a peruca de longos fios morenos para incorporar a figura masculina ainda presente em sua identidade: “Também sou atriz. Então, de vez em quando volto a me vestir como homem, principalmente para encarnar algum personagem”. Ela diz gostar de viver essa dualidade. “Acredito que reprimi meu lado feminino por tantos anos que agora entendo que é possível ser a combinação dos dois gêneros”.

Fefê afirma que o legado mais importante da mudança pela qual passou é o entendimento de que as pessoas devem ser livres para serem quem são. “Independentemente de amigos, família ou conhecidos, hoje eu posso dizer que me aceito, que eu consegui. E se eu me realizei, outras pessoas também também conseguirão.”

A cantora e atriz tornou-se assídua do SP Fashion Week há três temporadas e diz adorar moda, mas procura não usar o que todo mundo usa: “Gosto de ser diferente”. Para circular pelo evento desta vez, ela acionou o amigo e personal stylist Felipe Morais. “O amarelo tem referência na brasilidade, além de combinar com a cor pele dela”, explica ele sobre o traje daquele dia.

A austríaca Conchita Wurst, vencedora do Festival da Canção Eurovision, é referência para a brasileira
Getty Images
A austríaca Conchita Wurst, vencedora do Festival da Canção Eurovision, é referência para a brasileira


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