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A expressão indica uma prática sexual adotada por homens gays em que são usados tipos diferentes de drogas, inclusive, sexualmente estimulantes, para transar por horas

Uma série de reportagens publicada pela BBC, intitulada "The Rise of ‘Chemsex’ on London’s Gay Scene" ("O Crescimento do Sexo Químico na Cena Gay de Londres") chamou a atenção para uma prática sexual que envolve a comunidade gay masculina.

Já ouviu falar em 'Chemsex'?
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Já ouviu falar em 'Chemsex'?


De acordo com o jornalista Mobeen Azhar, que investigou o ‘party and play’, usado nos aplicativos de paquera por meio da sigla PnP, para marcar tais encontros, uma minoria declara-se envolvida com o Chemsex (associação entre sexo e drogas). Porém, em sua pesquisa, Azhar identificou que usar drogas para transar compulsivamente não está diretamente ligado ao desejo de sentir prazer. Ele notou que, alguns personagens, buscam nessa prática uma forma de minimizar quadros de ansiedade, por não conseguirem estabelecer uma intimidade no relacionamento.

Metanfetamina está entre as drogas usadas
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Metanfetamina está entre as drogas usadas

Em sua reportagem, o jornalista comenta que alguns praticantes de Chemsex apresentam histórico de depressão, muitos por ter enfrentado rejeição familiar e, consequentemente, terem dificuldade para se adequar à sociedade em que vivem, inclusive, na comunidade LGBT.

Novidade no Brasil

Por aqui, esse ‘modismo’ ainda parece ser novidade. No entanto, o psicólogo Oswaldo M. Rodrigues Jr., do Instituto Paulista de Sexualidade, informa que associar drogas e sexo sem proteção não é uma prática recente. “A questão é que sob o efeito de substâncias químicas como álcool e drogas variadas, em especial, metaanfetamina, os cuidados com a saúde diminuem”, ressalta. Segundo ele, na América Latina, este tipo de prática não tende a ser uma prática exclusiva da comunidade gay masculina. “Adolescentes e jovens adultos adotam este tipo de comportamento sexual”, avalia.

Por aqui, esse ‘modismo’ ainda parece ser novidade
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Por aqui, esse ‘modismo’ ainda parece ser novidade


Em Londres, as substâncias químicas mais utilizadas são combinações de mefedrona, GHB e chrystal meth. Por aqui, é mais comum o uso de maconha, cocaína, ketamina e ecstasy. “Além do uso concomitante de remédios com efeito vasodilatador, pois a ereção pode ficar prejudicada pelo uso dessas drogas”, informa a psicóloga Denise Braz, pós-graduada em Sexualidade Humana pelo Delphos/UNIG e especialista em gênero e sexualidade pelo CLAM/UERJ.

Segundo ela, tal prática ainda não acontece de forma recorrente no Brasil. “Ao pesquisar o tema junto aos gays soube que, são agendadas festinhas particulares (sendo que por aqui, o uso de Apps ainda não é muito difundido para este fim), em que acontece o uso de' sexo com aditivos', sendo que o uso de substâncias químicas é prioridade neste tipo de encontro”, relata. A psicóloga comenta ainda que, em geral, participam homens gays na faixa etária aproximada de 35 anos. Portanto, não parece ser uma prática adotada ainda por um público muito jovem.

Uso de drogas poderia comprometer eficácia de remédios para AIDS/HIV
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Uso de drogas poderia comprometer eficácia de remédios para AIDS/HIV

A especialista também acompanhou a reportagem da BBC e, para ela, o envolvimento emocional não é priorizado em tais encontros. “É fato que a questão da vivência da sexualidade em sua plenitude depende de conquistar um bem-estar consigo e com sua orientação sexual. Caso essa questão não esteja absolutamente bem resolvida, independente da orientação, pode acontecer de algumas pessoas recorrerem ao uso de drogas para lidar com ansiedade, depressão, baixa autoestima”, explica Denise. Para ela, a participação em tais festinhas, pode aumentar o risco de a pessoa não se proteger em relação às doenças sexualmente transmissíveis.

“Isso é uma preocupação, afinal tem sido utilizado o PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), e ainda não há informações se o uso de drogas pode interferir na eficácia do medicamento, assim como de outros antirretrovirais para o tratamento do HIV/AIDS”, alerta.

De acordo com Denise, tais encontros devem ocorrer ainda de forma discreta na cena gay. Porém, é essencial manter-se alerta, afinal tais combinações podem ser um risco à saúde física e psíquica de qualquer indivíduo. E para este tipo de ação, a psicóloga defende que não aposta em tratamentos paliativos. “É necessário zerar completamente o uso de drogas e, na sequência, iniciar um tratamento para identificar o quadro emocional deste paciente (ansiedade, depressão, inadequação) que podem estar levando-o a adotar tal atitude”, explica.

Além disso, fundamental incentivar o resgate da autoestima para que o paciente adquira uma melhoria de sua qualidade de vida. 

Chemsex é novidade no Brasil e homens devem ter cuidado com prática
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Chemsex é novidade no Brasil e homens devem ter cuidado com prática


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