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Em "I Am Cait", ex-atleta e padrasto de Kim Kardashian mostra como foi sua transformação e encontra a mãe pela primeira vez após se assumir transexual

Caitlyn Jenner posa só de lingerie para a capa da revista Vanity Fair
Reprodução/Vanity Fair
Caitlyn Jenner posa só de lingerie para a capa da revista Vanity Fair

O novo reality show de Caitlyn Jenner, "I Am Cait", do canal E!, nem estreou e já promete render muito assunto. O programa, que estreia em 2 de agosto às 23h, mostrará o cotidiano de Caitlyn Jenner, medalhista olímpica e estrela do reality "Keeping Up with the Kardashians", após se assumir publicamente como uma mulher transexual. Além da relação de Cait com a família e a imprensa, o programa também abordará temas mais profundos, como o suicídio entre os jovens transexuais.

Caitlyn, que é pai de Kylie e Kendall Jenner e foi padrasto de Kim, Rob, Klhoe e Kourtney Kardashian, começou a transição há cerca de dois anos. Em janeiro de 2014, fez uma cirurgia para diminuir o pomo de adão e neste ano, reuniu a família e contou que assumiria a identidade feminina.

Segundo a assessoria de imprensa do canal E!, a intenção de Caitlyn é que "I Am Cait" seja mais do que um simples programa pop, mas sim um conteúdo educativo de conscientização dos problemas enfrentados pela população transexual. A primeira cena da série, inclusive, é filmada pela própria Cait em seu quarto, com insônia por conta da preocupação com seu novo papel de porta-voz da população transexual. "São 4h32 da manhã e eu não consigo dormir. Eu me sinto mal por tantas pessoas jovens terem de enfrentar momentos tão difíceis nas suas vidas. Nós não queremos ver pessoas morrendo por ser trans, não queremos ver pessoas sendo assassinadas por isso. Eu me sinto responsável por essas pessoas. Será que eu vou passar a imagem certa? Será que eu vou dizer as coisas certas? Eu espero que sim", diz Caitlyn para a câmera.

Em seguida, o programa mostra a reação de Cait ao ver a repercussão na imprensa de sua foto na capa da revista "Vanity Fair". A ex-atleta olímpíca, conhecida anteriormente como Bruce Jenner, revelou seu novo nome social para a edição de julho da publicação. Clicada pela fotógrafa Annie Leibovitz, Caitlyn aparece utilizando apenas um espartilho na capa da revista.

Reação da família

O primeiro episódio de "I Am Cait" é bastante focado na reação da família dela ao vê-la como mulher pela primeira vez. Com aparições de Kim Kardashian, Kanye West e Kylie Jenner, o programa mostra como a boa relação entre ela e os filhos não mudou após a transição. No entanto, a mãe de Cait, Esther Jenner, não parece aceitar a ideia tão bem.

Nitidamente nervosa antes de receber a mãe e as irmãs em casa pela primeira vez após a transição, Caitlyn revela sua insegurança em uma determinada cena em que pede para uma de suas assistentes escolher um look "não muito feminino" para ela usar durante a visita. Ela ainda recebe a ajuda de uma assistente social especializada em transexualidade para tirar as dúvidas da família durante o encontro.


"Eu estava apreensiva. Sabia que ela teria um visual diferente, mas esperava que tivesse a mesma personalidade que Bruce. E ela tem. Estou muito feliz com isso", conta Pam Jenner, irmã de Caitlyn, ao vê-la como mulher pela primeira vez.

Já a mãe demonstra uma certa relutância em aceitar Caitlyn, e continua usando o pronome masculino e o nome Bruce ao se referir à filha. "Eu nunca soube que ele tinha um problema. Eu sabia que estaria vestido como uma mulher. Uma mulher muito atraente. Mas ele continua sendo Bruce. Tenho muito com o que me acostumar", comenta Esther, com lágrimas nos olhos.

Apesar da dificuldade em entender e aceitar Caitlyn, Esther diz que tem mais orgulho da filha agora, por se assumir transexual, do que quando ela foi medalhista olímpica, ainda como Bruce.

Suicídio e trabalho social

Além das relações familiares, o primeiro episódio do reality também aborda um lado mais humanitário de Caitlyn, que pretende ser uma poderosa voz para a comunidade transexual.

"O que eu quero é ser capaz de levar aceitação e entendimento, para que a próxima geração não precise mais fazer isso", diz Caitlyn, que se mostra especialmente preocupada com adolescentes trans que pensa em suicídio como alternativa para o sofrimento que vivem.

Um dos trabalhos sociais de Cait, inclusive, é o de visitar familiares de jovens transexuais que se suicidaram, para mostrá-los no programa e tentar conscientizar o público de como a transfobia tem matado adolescentes.

Neste primeiro episódio, Cait faz uma visita a uma família americana cujo filho trans se suicidou aos 14 anos.

"Eu já passei por isso. Já estive na minha casa, com uma arma na mão, e pensei: 'Vamos acabar com isso. Acabar com a dor e o sofrimento'", confessa Caitlyn.

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