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Encontrar personagens gays na ficção nacional é quase tão impossível quanto achar um presente para "aquele" amigo insuportável (de presentear). Mas eles existem, e são incríveis

­­­Existe literatura gay no Brasil? Segundo a professora Regina Dalcastagnè, doutora em Teoria Literária pela Unicamp e professora titular de literatura brasileira da UnB (Universidade de Brasília), em seu estudo Literatura brasileira contemporânea: um território contestado, lançado em 2012, a literatura brasileira é um espaço pouco plural.

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Quando o estudo foi concluído, a porcentagem de personagens heterossexuais nas obras de ficção era imensamente superior à de homossexuais e bissexuais: respectivamente, 81%, 3,9% e 2,4%. Mas essa desproporção parece estar mudando. A temática LGBT invadiu as editoras comerciais e voltou com força total na última safra de romancistas brasileiros.

Veja a lista de sete sugestões do iGay e acredite: qualquer um deles é um presentão.


Sérgio Y. vai à América, de Alexandre Vidal Porto
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Sérgio Y. vai à América, de Alexandre Vidal Porto


Sergio Y vai à América (Alexandre Vidal Porto, Cia das Letras): Você começa a ler e se pega pelo texto envolvente, nem percebe que está navegando em águas complexas. Quando vê já está em alto-mar. A transexualidade nunca foi tratada de forma tão humana. Vencedor do Prêmio Paraná de Literatura, a história de Sergio Y. prende a atenção do leitor de forma irresistível.  Impossível de se largar.

Todos nós adorávamos caubóis
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Todos nós adorávamos caubóis

Todos nós adorávamos Caubóis (Carol Bensimon, Cia das Letras): Duas garotas saem numa viagem de carro pelo interior do Rio Grande Sul. A ambiguidade da relação entre elas dura pouco, trazendo a bisexualidade para o espaço do possível.

Deixei ele lá e vim, de Elvira Vigna
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Deixei ele lá e vim, de Elvira Vigna

Deixei ele lá e vim (Elvira Vigna, Cia das Letras): Antes mesmo de abrir, o livro já te ganhou pelo nome, pela capa, pela dúvida: ele quem? lá aonde? Elvira Vigna situa um crime entre um hotel de luxo e o morro do Vidigal para desafiar as noções de gênero e falar de inadequação.

Nossos ossos, de Marcelino Freire
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Nossos ossos, de Marcelino Freire

Nossos ossos ( Marcelino Freire, Record): Romance triste e tocante sobre um dramaturgo que tem de levar o cadáver de um michê de volta para a sua família, em Pernambuco.

A vez de morrer, livro de Simone Campos
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A vez de morrer, livro de Simone Campos

A vez de morrer (Simone Campos, Cia das Letras): Mais uma história de meninas. Izabel, designer bisexual, volta do Canadá e acaba se mudando para Araras, na região serrana do Rio de Janeiro, para o sítio desocupado do seu avô.  

As Fantasias eletivas, Carlos Schroeder
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As Fantasias eletivas, Carlos Schroeder

As fantasias eletivas (Carlos Henrique Schroeder, Record): A rotina banal de um recepcionista de hotel no Balneário Camboriú e sua amizade com Copi, uma escritora, fotógrafa e travesti argentina.

Exorcismos, amores e uma dose de blues
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Exorcismos, amores e uma dose de blues

Exorcismos, amores e uma dose de blues (Eric Novello, Gutenberg): Romance de fantasia em clima noir que se passa em uma metrópole futurista, Libertá. Uma das melhores cenas de sexo da literatura brasileira em 2014.