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Escolhida para representar a Áustria no Festival Eurovision, o maior concurso da Europa, ela gera polêmica e comoção na internet

A cantora austríaca Conchita Wurst é a personificação da desconstrução de gênero, de como a divisão homem e mulher não dá mais conta de abarcar todos os papéis sexuais. O corpo curvilíneo e invejável, a pele morena e os longos cabelos lisos dela contrastam com uma barba espessa, reforçada com maquiagem para ficar mais escura. Misturando traços femininos e masculinos, ela faz barulho na Áustria e acaba de ser escolhida para representar o país no Eurovision, a famosa competição de canções da Europa.

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Nascido Thomas Neuwirthm, a cantora tem um nome artístico nada aleatório. Conchita significa concha em espanhol, que também é uma designação de vagina no mesmo idioma. Já o sobrenome Wursh, é traduzido como salsicha em alemão.

Antes de ficar conhecida com sua persona feminina e barbada, Thomas Neuwirthm tentou fazer sucesso integrando uma boy band, em 2007. Mas a empreitada não deu certo. Com o insucesso, ele decidiu se reinventar na pele da diva andrógina Conchita.

Foi numa espécie de show de calouros austríaco, o "Die große Chance", que Conchita fez a sua primeira aparição para a fama. Cantando "My Heart Will Go On", o megasucesso de Celine Dion, ela surpreendeu o público e os jurados do programa com sua voz masculina, afinada e forte. Logo depois do programa, o vídeo foi parar na internet e ganhou força de viral, se espalhando pelo mundo.

O talento artístico é uma herança familiar, Thomas é filho de uma atriz e de um diretor de teatro. Antes de aparecer na TV, ele se apresentou como Conchita em cabarés de Viena e de outras cidades austríacas.

Mas nem tudo são flores na vida da cantora, que ainda não um disco, mas tem duas músicas gravadas ("Unbreakable", de 2011, e "That's What I Am", de 2012). Conchita foi alvo de críticas ao ser escolhida para representar o seu país no Eurovision.

Confira a apresentação da cantora:

Um grupo no Facebook, o "NEIN zu Conchita Wurst beim Song Contest" (Pela não participação de Conchita Wrust em concursos de música, em uma tradução livre), composto por quase 40 mil pessoas, dez vezes mais membros do que a própria página da cantora nada rede social, exige que ela seja substituída. Eles defendem que a austríaca só foi escolhida por ser uma figura polêmica e não por sua capacidade vocal.

Na mesma rede social, Conchita fez um desabafo. “Um recado para algumas pessoas, em especial a de alguns grupos no Facebook: honestamente, não existem coisas mais importantes em que vocês possam colocar toda essa energia? Talvez lutar a favor das pessoas que são discriminadas todos os dias e não contra elas. Como vocês se sentiriam se seus amigos, parentes, filhos ou colegas fossem abusados dessa forma? Tenho certeza de que no seu entorno também há pessoas que são ‘diferentes’”, questionou a cantora, em sua mensagem.

Estou convencida de que no século 21 cada pessoa tem o direito de viver como ela quer, contanto que não machuque ninguém

Na mesma mensagem, a cantora reafirmou seu posicionamento de luta contra a homofobia. “Eu continuo a lutar contra a discriminação e a intolerância, pois estou convencida de que no século 21 cada pessoa tem o direito de viver como ela quer, contanto que não machuque ninguém. Porque eu sei que eu não machuco”, concluiu.

O próximo Festival Eurovision está marcado para maio do ano que vem, em Copenhague, na Dinamarca. Conchita terá que provar até lá que tem talento artístico para representar a Áustria no evento. Além de enfrentar todos os preconceitos que certamente vai encontrar no caminho.

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