Tamanho do texto

O pintor marginalizado Andrei, vítima de violência sexual, acredita que sua angústia chegará ao fim se conseguir transpor para a tela o trauma do ataque. O espetáculo estreia dia 9 de outubro em São Paulo com sessões gratuitas às quartas

O ator Jones de Abreu como o artista plástico Andrei em cena da peça
Divulgação/Claudia Ferrari
O ator Jones de Abreu como o artista plástico Andrei em cena da peça "Eros Impuro"

O espetáculo "Eros Impuro", que estreou em 2011 patrocinado pelo Prêmio Miriam Muniz e pelo Fundo de Apoio à Cultura do GDF para Itinerância, já fez temporada em Brasília e apresentações em Vitória, Goiânia, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Belém e João Pessoa. 

Agora chega a São Paulo em trânsito, já com passagens compradas para Fortaleza, São Luís e Porto Alegre. A temporada paulistana, no Teatro Pequeno Ato, vai até 10 de novembro. As sessões acontecem de quarta a domingo às 21 horas, com espetáculos gratuitos às quartas.

O personagem Andrei, vítima de abuso sexual, procura na arte o caminho para se livrar de suas angústias. O pintor acredita que sua redenção virá quando conseguir reproduzir na tela a energia sentida no momento do ato de violência. Usando garotos de programa como modelos vivos, Andrei é acusado de pornográfico e condenado pela sociedade conservadora. Preso em seu próprio erotismo e marginalizado pelo circuito comercial das artes, ele produz sua obra acuado em seu processo obsessivo de criação.

Assista a um trecho da peça em video:

O protagonista, o ator e artista plástico Jones de Abreu, serviu de ponto de partida para o autor, o vencedor do Prêmio Jabuti Sérgio Maggio, que se inspirou no processo criativo de Abreu para questionar os limites entre a arte erótica e a pornografia. Jones conta como a sexualidade influenciou sua obra. Professor de história da arte, ele convivia com colegas que tinham dificuldade em apresentar algumas obras para as crianças, mesmo de mestres como Michelangelo e Leonardo da Vinci, por apresentarem corpos nus.

“Ao mesmo tempo, crianças me procuravam depois da aula para conversar sobre seus problemas em casa. Uns sofriam violência física e assédio moral, outros confessavam sentir desejo pelos colegas. Eles queriam saber se isso era natural. Ficava em mim uma responsabilidade em relação à vida dessas crianças. Daí minha preocupação de questionar o que é de fato erótico ou pornográfico dentro de uma obra de arte.”

A peça é uma produção da companhia Criaturas Alaranjadas, que nasceu em Brasília em 2007. Nos dias 15, 22 e 29, o grupo fará também a oficina O Exercício da Crítica Teatral, das 19h às 22h, no Teatro Pequeno Ato. Serão 20 vagas com inscrições gratuitas pelo emailerosimpuro@gmail.com


Serviço:

Local: Teatro Pequeno Ato - Rua Doutor Teodoro Baima, 78 - República - São Paulo – SP – Telefone: (11) 99642 8350.

Temporada: De 9 de outubro a 10 de novembro. Quarta a sábado às 21h; domingos às 19h. Sessões gratuitas às quartas.

Ingressos: R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (meia-entrada). Às quartas-feiras as sessões são gratuitas.

Classificação etária: 18 anos.


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.