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Em "Flores Raras", que estreia em 16 de agosto, Gloria é Lota de Macedo Soares, a carioca que muda o destino da poeta americana Elizabeth Bishop no Rio de Janeiro dos anos 50

Gloria Pires é um orgulho nacional. Uma atriz por quem o Brasil todo tem carinho e admiração, e que em retorno exerce seu ofício com o respeito e a consideração que ele merece - cada papel a que ela se entrega é com profundidade e paixão. A sensação é de que ela pode fazer qualquer coisa, interpretar qualquer pessoa, viver todo personagem.

E a segunda sensação é a de que ela é o maior acerto do filme "Flores Raras", de Bruno Barreto, que estreia nos cinemas no próximo dia 16. Baseado no livro "Flores Raras e Banalíssimas", que conta a história do encontro da poeta americana Elizabeth Bishop com a brasileira Lota de Macedo Soares no Rio de Janeiro dos anos 50 - e de como ele evolui para uma grande história de amor -, o filme tem, para começar, dois personagens maravilhosos.

Bishop é a poeta sensível, alcóolatra, perdida, de alma frágil e cheia de traumas. Lota é atrevida, decidida, empreendedora, calorosa, capaz de explodir uma pedra que está atrapalhando a sua vista. Ambas são mulheres fascinantes. O Rio de Janeiro dos anos 50 e a serra de Petrópolis também não atrapalham como cenário.

Elizabeth chega de navio ao Rio, escala de uma volta ao mundo que ela dá sem muita direção, atrás da "cura geográfica" para suas angústias. Lota tem as raízes fincadas no Rio, um grupo influente de amigos, uma mulher - a também americana Mary, amiga de Elizabeth -, uma vida sofisticada, uma casa em construção em Petrópolis a partir de um projeto que ela mesma criou, um apartamento de frente para a praia de Copacabana, um Jaguar conversível para fazer a travessia entre a serra e o mar. Ela é culta e viajada, e ao mesmo tempo uma mulher humana e amorosa. 

Lota tem uma vida real e concreta. Elizabeth é etérea, flana pelo mundo, um barco à deriva que navega mais no campo das palavras do que das ações. Elizabeth é frágil, Lota é forte. Só que na relação das duas a medida de forças não é bem assim, como fica claro na primeira cena de sexo entre as duas (assista ao video abaixo). Na intimidade, quem assume as rédeas é Elizabeth.

"Foi meu papel mais ousado", disse Glória em entrevista ao iG. "Foi muito difícil, mas gostei do resultado. Achei muito honesto".

E será que seus fãs da TV estão preparados para vê-la beijando outra mulher? "Talvez não, mas acho muito bom que isso aconteça, tanto para mim como atriz como para o público poder se envolver com esse tipo de história", afirmou. "Conforme o tempo vai passando e você vai consolidando sua carreira, a tendência é que te chamem para as mesma coisas. Tive sorte de ter boas oportunidades".

Vale muito a pena ver o filme. Pela reconstrução do Rio nos anos 50, os rumos políticos que o Brasil tomava naquele momento, a paixão de Lota por seus projetos - o maior deles sendo o Aterro do Flamengo, de que ela fez a direção criativa. Pela percepção que Bishop tinha do país visto por seus olhos estrangeiros, pelo contraste da personalidade das duas mulheres que vão se envolvendo sem que seja possível evitar o encontro.

E por Gloria Pires. Ela faz seu primeiro papel homossexual com a naturalidade de alguém que já tivesse feito vários. Sua Lota tem um jeito sexy, envolvente, generoso, apaixonado, direto, sem jogo. Uma mulher que se entrega à vida e se atira às paixões como a atriz faz com seus papeis. O maior encontro desse filme é entre Gloria Pires e Lota de Macedo Soares.

ASSISTA TRECHO DO FILME COM A PRIMEIRA CENA DE AMOR DE LOTA E  BISHOP:





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