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Complicada e perfeitinha: a DJ de 23 anos anima duas festas regulares em São Paulo, uma semanal, outra mensal. Hoje a festa é sua: ela vai agitar a pista do iGay com sua nudez moderna

Não ligue para Marina Lomaski antes das duas da tarde. O dia dela começa quando a maioria dos mortais já está almoçando, e termina quando para esses mesmos mortais é quase hora de acordar. DJ e produtora de eventos da noite em São Paulo, ela já tocou em praticamente todos os bares da cidade. Atualmente tem uma festa semanal no Astronete, uma noite de rock aos sábados, e um evento mensal no Bar Secreto, a festa Bonitinha mas Ordinária. “Como no livro do Nelson Rodrigues”, diz ela, que além da música tem entre suas preferências os livros –é assídua frequentadora dos sebos do centro da cidade-, a cozinha –prepara pratos cada vez mais elaborados, principalmente à base de carne-, as viagens –o plano para o ano que vem é passar uma temporada em Berlim. Ah, claro: e as mulheres.

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“Tenho lembrança de que bem nova, aos 13 ou 14 anos, estava assistindo ao seminário que uma amiga fazia na escola e achei ela tão, tão bonita”, conta. “Com 16 anos comecei a procurar pessoas parecidas comigo, passei a sair sozinha, até que conheci uma menina e tive meu primeiro relacionamento. Acho que sou homossexual desde sempre. Até os 19 anos ainda transava com homens, mas eles não me apetecem mais.” Marina tem 23.

A conversa em casa provocou uma certa crise, apesar de seus pais terem a cabeça aberta. “Meu pai é músico, esse assunto nunca foi um grande problema”, diz ela, definindo sua homossexualidade como algo que a família “aceita, mas não exalta”. “Não é conversa para a mesa de jantar”, explica.

Marina está solteira no momento, e contabiliza dois relacionamentos sérios na vida. “Em um deles praticamente moramos juntas, foram dois anos de namoro.” Ela se considera “meio difícil”, já que é muito independente, gosta muito de sair, e seu estilo de vida não combina exatamente com um relacionamento estável. “Mulher conhece e já gosta logo de ficar junto, eu não sou assim”, explica. “Sou mais difícil de me abrir. Mas quando me abro sou super leal e companheira.”

"DANÇAR É A MINHA ACADEMIA"

Quando não está tocando, ainda assim Marina vai para a noite, pelo menos duas vezes por semana. “Dançar é a minha academia”, define. Perdeu a conta de quantas vezes foi cantada por homens, mas já não se abala. “Isso nem faz parte do meu universo.” Às vezes, quando algum deles questiona se ela gosta de mulheres, sua resposta é: “Gosto mais delas do que você.”

Marina passou uma fase da adolescência encanada com o seu corpo. Se achava muito magra, muito alta, muito bunduda, com o peito muito pequeno. Agora, como se vê no ensaio acima, clicado por Andre Giorgi, ela não tem motivo algum para preocupação. E realmente não se preocupa. “Acho tudo ótimo. E não tenho problema em fazer fotos nua. Se for feito por um profissional legal, tiver um conceito, e você tiver uma relação de tranquilidade com o seu corpo, só pode sair uma coisa bonita.”

Quem haverá de discordar dela?


Agradecimentos: Beleza - Fabinho Araújo, Assistente de beleza - Gui Orbêa, Assistente de fotografia - Fabio Polido. Marina veste Ale Brito e Christopher Alexander para Gato Bravo

Astronete - Rua Augusta, 335 | (11) 3151-4568 astronetebar@gmail.com

Bar Secreto - Rua Álvaro Anes, 97 - Pinheiros 

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