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Sexóloga Fátima Protti responde questão do leitor e explica se é possível mudar de orientação sexual durante a vida

Nunca fiz sexo com mulheres. Me considero homossexual porque tenho atração sexual e afetiva por homens. Admiro mulheres bonitas, mas não sinto atração. No entanto, já pensei em experimentar. Meus amigos me pressionam e dizem que não levo ‘jeito’ para ser gay. Se eu transar com uma mulher, posso gostar dela e descobrir que sou hétero?

Caro leitor, quando os seus amigos dizem que você não leva ‘jeito’ para ser gay, eles estão querendo dizer na verdade que o seu jeito de ser não corresponde ao estereótipo do que é ser homossexual. Neste caso, a cultura impõe uma definição a partir de padrões pré-estabelecidos, que nem sempre encontram correspondência com a realidade.

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Leitor quer saber: Se eu transar com uma mulher, posso gostar dela e descobrir que sou hétero?
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Leitor quer saber: Se eu transar com uma mulher, posso gostar dela e descobrir que sou hétero?

A orientação homossexual é definida pelo desejo, atração física, sexual e (ou) afetiva, majoritariamente ou exclusivamente, entre pessoas do mesmo sexo.

Um estudo de 2010, realizado por Garcia-Falgueras e Swaab, revelou que a formação de nossa identidade de gênero e de orientação sexual se organiza em nossas estruturas cerebrais pela ação direta de hormônios, ainda dentro do útero materno. Desta forma, o ambiente parece não influenciar na formação do gênero ou da orientação sexual.

Hoje, a comunidade científica tem encontrado maiores evidências nos estudos que apontam mais para os determinantes genéticos do que para os psicológicos e sociais.

O fato é que a orientação sexual, mesmo sem um resultado conclusivo sobre os fatores que a influenciam ou a determinam,  não é uma escolha.

A hétero, homo ou bissexualidade é uma expressão afetivo sexual da sexualidade humana, portanto não é uma doença, nem desvio.

Contudo, a sociedade exerce forte pressão sobre seus indivíduos para que se definam como hétero, como já apontou o sociólogo e professor Richard Miskolci. Isso é tão verdade, que neste momento a sociedade tem participado de grandes discussões a respeito da mudança da orientação sexual.

Todos podemos no curso de nossas vidas ter atração por fazer outro tipo de parceria. O que no seu caso significaria experimentar uma transa com o sexo oposto.

Essa experimentação é uma forma de entender o que de fato queremos viver afetivo e sexualmente a partir das sensações e emoções que a experiência proporciona. Só a vivência mostrará se isso terá continuidade ou não.

Contudo, você não deve fazer nada porque está sendo pressionado, mas porque o seu desejo, fantasia e motivação estão apontando para um novo objeto de amor.

Se você também tem alguma dúvida ou questão para Fátima, mande uma mensagem para o e-mail: siteigay@ig.com.br .

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* Fátima Protti é psicóloga, terapeuta sexual e de casal. Pós-graduada pela USP e autora do livro “Sexo, Amor e Prazer”. www.fatimaprotti.com.br


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