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Em entrevista ao iGay, ex-ator pornô fala sobre o romance com o estilista da Louis Vuitton, o passado na indústria erótica e o assédio masculino

No último mês de abril, um casal virou alvo principal dos paparazzi de plantão na orla de Ipanema, no Rio de Janeiro. Os flashes foram para o estilista americano Marc Jacobs , 50, e seu namorado brasileiro, o modelo e ex-ator pornô Harry Louis , 26. Desinibidos, eles trocaram beijos e namoraram à vontade sem medo de ser flagrados.

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Foi com essa mesma desinibição que o modelo que conquistou o coração de Jacobs posou para o iGay num estúdio em São Paulo, três meses depois das cenas de romance nas areias de Ipanema. Com o mesmo desprendimento, o mineiro Harry respondeu as perguntas da reportagem sobre o romance com o estilista, o passado na indústria pornô, o assédio masculino e seu talento na cozinha, que o levou a criar um marca de chocolates finos, a HL.

Harry, que vive em Londres, lembra o assédio dos fotógrafos nos dias que passou no Rio com Jacobs, que estava completando 50 anos na ocasião. “O Marc é super acostumado com a badalação, tira de letra. Eu também não me incomodo. Não temos porque nos esconder, não fazia sentido ir para uma praia longe se tinha a de Ipanema bem na frente ao hotel”, explica o modelo, que se hospedou com o namorado na sofisticada unidade carioca da rede Fasano.

Quem é rico é o Marc. Quem trabalhou a vida inteira para ganhar o dinheiro que ele tem não fui eu. Me apaixonei por ele, não pelo luxo ao redor dele."


Desde que começou a se relacionar com Jacobs, em 2011, Harry não teve que lidar apenas com os paparazzi, mas também com insinuações de que estaria interessado na fortuna do estilista, que além de assinar a marca que leva o seu nome também é diretor criativo da grife de luxo Louis Vuitton.

“Eu dou risada dessas insinuações. Porque é uma piada mesmo. Ouço milhões de absurdos. Dizem até que eu estou com o Marc Jacobs para ganhar bolsa da Louis Vuitton. Não preciso disso. Eu tenho dinheiro para comprar as minhas coisas”, rebate Harry. “Nunca dependi de homem nenhum para pagar as minhas contas”, completa.

Ainda sobre essa questão, Harry não se acanha em deixar clara a sua visão: “Quem é rico é ele. Quem trabalhou a vida toda para ganhar o dinheiro que tem foi ele, não fui eu. Eu não espero nada dele neste sentido. Me apaixonei pelo Marc pela pessoa que ele é, não pelo luxo ao redor dele”.

Marc Jacobs e Harry Louis se beijam na praia de Ipanema, em abril deste ano
Wallace Barbosa/AgNews
Marc Jacobs e Harry Louis se beijam na praia de Ipanema, em abril deste ano

O PRIMEIRO ENCONTRO

Esse encantamento pela figura por trás do estilista começou numa festa em Londres, em novembro de 2011, quando eles foram apresentados por um amigo em comum. “No fim da noite, fomos para o hotel dele e ficamos conversando por três horas. Eu fiquei até pensando que o Marc não tinha gostado de mim, porque ele não tentou me beijar. Eu já estava pronto para ir embora quando tudo rolou”, lembra Harry.

“O Marc é uma pessoa encantadora em todos os sentidos. Além de ser bonito e gostoso, ele tem um coração gigante, um senso de humor incrível”, se derrete o modelo, ao falar do namorado. “É um intelectual, mas também saber ser brincalhão, ter os momentos de bobeira dele”, acrescenta.

Marc é uma pessoa encantadora. Além de bonito e gostoso, tem um coração gigante e um senso de humor incrível."

CASAMENTO E FILHOS?

Mesmo considerando a sua relação com Marc cada vez mais sólida, Harry diz que ainda não é hora do casal viver na mesma casa ou mesmo se casar oficialmente. “Neste momento das nossas vidas não é algo possível. Eu vivo entre o Rio e Londres, ele é um nova-iorquino que não deixa Nova York por nada e ainda tem que passar bastante tempo na Europa por conta do trabalho”.

Da mesma maneira, ter filhos é um projeto que ainda não passa pela cabeça de Harry. “Eu adoro crianças. Mas não sou uma pessoa prática. Eu pego uma criança no colo e sempre fico com medo de pegar e quebrar”.

Não faço filme pornô de novo nem que me ofereçam R$ 10 milhões. Não tem como voltar. Claro que ficaria tentado com tanto dinheiro, mas não faria."

PORNÔ NUNCA MAIS

Harry considera o trabalho na indústria do sexo um capítulo encerrado em sua vida, apesar de não faltarem convites para que ele retorne. “Ainda recebo propostas, com cachês altos, agora mais do que nunca. Mas encerrei, não faço filme pornô de novo nem que me ofereçam R$ 10 milhões. Não tem como voltar. É claro que eu ficaria tentado com tanto dinheiro, mas não faria”.

“O meu primeiro diretor me deu um conselho: ‘Não faça muito filmes, pare enquanto estiver no auge’. Foi o que eu fiz”, revela Harry, que se aposentou em 2012, depois de fazer 32 filmes eróticos em cinco anos. Ele garante que o namorado não tem nada ver com a aposentadoria. “O Marc me deixou livre para decidir, nunca me pediu nada. Foi uma decisão minha, eu nunca deixei ninguém tomar as decisões por mim”.

BRASIL EM ALTA NO MERCADO DO PORNÔ

“Uma produtora viu meu perfil num site de encontros e decidiu me convidar para fazer pornô. Disse ‘sim’ sem hesitar”, recorda o modelo, que ainda tem fresca na memória a sua estreia no meio. “Cheguei ao estúdio e fiquei animado porque tinha seis caras lindos que iam fazer a cena comigo. Eu lembro que eu pensei: ‘Nossa, eu posso fazer isso o resto da minha vida’”.

De acordo com o modelo, os cachês que ele recebeu pelos filmes sempre valeram a pena, apesar de reconhecer que este tipo de trabalho, de maneira geral, não paga bem. "Eu tinha uma estratégia de sempre falar ‘não’ logo no começo da negociação. Botava banca e eles pagavam o que eu queria. Se você deixar, eles te oferecem 100 euros por filme, como fazem com aquele monte de atores lindos do leste europeu”, explica Harry. "Mas se você fala que é Brasil, eles ficam logo animados. Atualmente os maiores atores do pornô são brasileiros”.

Além de bons cachês, Harry só tinha mais uma exigência para atuar. “Eu não gostava de conhecer o ator antes, porque você vira amigo. Quando isso acontece, a tensão sexual necessária para que a cena funcione diminui muito”.

ASSÉDIO MASCULINO

O trabalho no mercado erótico rendeu não só fãs para Harry, mas também o assédio muitas vezes indiscreto do público masculino. “Eles nem fazem contato visual comigo, já chegam olhando abaixo da minha cintura”, relata o modelo, dando risada ao lembrar a situação.

Não tem diferença entre fazer filme pornô e se prostituir. Tanto em um como no outro, você está fazendo sexo por dinheiro


Muitos homens avançam o sinal e chegam a oferecer dinheiro para levá-lo para a cama. “Não faz muito tempo, eu recebi um telefonema de um cara perguntando quanto eu cobrava. Dei um passa fora nele. Perguntei quem ele pensava que era para me ligar com uma proposta daquelas”.

Apesar de recusar essas ofertas, Harry não nega a similaridade entre os filmes que fazia e a prostituição. “Não tem diferença entre fazer filme pornô e se prostituir. Tanto em um como no outro, você está fazendo sexo por dinheiro”, sentencia.

RELAÇÃO COM A FAMÍLIA

A atuação no meio erótico nunca foi um problema para os seus familiares, segundo Harry. “Eles sabem que o fato de eu ter feito filme pornô não muda nada na minha essência. Fico muito feliz em dizer que a minha família nunca teve nenhum problema com isso”, constata Harry, que relata ter havido apenas uma situação diferente dessa.

Harry Louis: “O meu primeiro diretor me deu um conselho: ‘Não faça muito filmes, pare enquanto estiver no auge’. Foi o que eu fiz”
André Giorgi
Harry Louis: “O meu primeiro diretor me deu um conselho: ‘Não faça muito filmes, pare enquanto estiver no auge’. Foi o que eu fiz”


“Uma vez, durante um almoço de família, um primo fez uma piadinha e eu levantei na hora e disse: ‘Quem tiver algum problema com a minha carreira, que fale agora ou se cale para sempre. Porque eu não estou roubando, matando ou vendendo drogas. Se vocês quiserem pagar as minhas contas em euros, fiquem à vontade. Aí vocês podem falar o que quiserem”, relembra o modelo.

“Eles nem fazem contato visual comigo, já chegam olhando abaixo da minha cintura”


Harry fala com muito carinho da mãe, que vive em Madri. “Quando ela foi para a Espanha para ficar comigo, foi logo se enturmando com minhas amigas travestis. Ela é uma ótima cabeleireira, faz os cabelos de todo mundo. Ela virou a mãe de todos os gays da cidade, todos querem minha mãe emprestada”, se diverte o modelo, que tem uma irmã mais velha e duas sobrinhas adoradas por ele. “Eu as trato como duas princesas”.

BOMBONS QUE SÃO UMA JÓIA

Além do trabalho como modelo, o grande projeto profissional atual de Harry é a sua marca de chocolates finos, a HL, que por enquanto é vendida apenas na internet, mas que até o final do ano deve ganhar uma loja física, em Ipanema, no Rio. A receita do doce é da avó dele. “Eu fazia para os amigos e eles viviam pedindo para que eu transformasse isso num negócio”.

Harry acrescentou um toque pessoa à receita da avó. Todos os bombons e chocolates que ele produz vêm cobertos de glitter comestível, o que deixa os doces com cara de jóias.

Agradecimentos: 
Beleza:
Evandro Angelo (cabeleireiro) e Aléxia Araújo (assistente)
CKAMURA  (11) 3061 5500
Estúdio : Cenaviva 




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