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Desenvolvido pela Associação Alemã de Futebol, projeto recomenda que atletas se assumam discretamente no fim da temporada

A Associação Alemã de Futebol (DFB na sigla em alemão) está produzindo uma cartilha para ajudar os jogadores gays a se assumirem, mas de uma maneira discreta. Uma das ideias indica que os atletas aguardem o final da temporada para sair do armário, o que supostamente evitaria a atenção do público e da imprensa.  

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Segundo o site Pink News, a DFB acredita que o intervalo entre as temporadas fará com que o público esqueça a informação sobre o jogador gay que se assumiu até o início do próximo campeonato. O projeto tem sido criticado por organizações do movimento LGBT, que o consideram frio e pouco humano com uma questão tão delicada.  

Conheça alguns atletas internacionais que saíram do armário: 


Jörg Litwinschuh , chefe do Instituto Magnus Hirschfeld, que combate a homofobia no esporte, é dos críticos. "A publicação de uma cartilha é um passo. Mas você não pode deixar a pessoa sozinha depois que ela se assume”,  observou Litwinschuh, em entrevista ao site.  

Para ele, seria melhor se iniciativa pensasse a questão a longo prazo, ouvindo grupos de jovens e treinadores, permitindo que a homofobia no futebol fosse tratada de uma maneira mais profunda.  

A ministra da Justiça alemã  Sabine Leutheusser-Schnarrenberger  também criticou o folheto, numa entrevista ao jornal Die Welt.  "Não seria melhor pedir que um treinador de um time apenas colocasse uma bandeira do arco-íris em sua cadeira?", questionou ela.  

Na semana passada, clube St Pauli ,da segunda divisão do futebol alemão, decidiu hastear permanentemente uma bandeira do arco-íris, como um símbolo contra a homofobia e a discriminação em seu estádio.

"Com esta bandeira, estamos dando um sinal altamente visível de que estas questões têm grande importância no St. Pauli. Estamos trabalhando fortemente para combatê-las”, explicou o vice-presidente do time, Gernot Stengerdisse

Torcedores do clube inclusive já realizaram uma manifestação contra a homofobia no esporte, em abril, coordenado pela organização “Alerta Network”, uma rede internacional que se define como um “movimento antifascista”.

Em setembro do ano passado, a chanceler alemã Angela Merkel  afimou que jogadores gays não devem ter nada a temer em serem abertos em relação a sua sexualidade: "Qualquer um que tem essa coragem, força e a bravura de se assumir, deve saber que vive em uma terra onde não precisam temer nada", declarou Merkel.  

Até o momento, não há jogadores de futebol abertamente homossexuais na Alemanha.



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