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Redes sociais e aplicativos ajudam homossexuais a encontrar alguém com segurança e sem sofrer preconceitos

A ideia inicial era reunir gays fãs de rock, mas ao criar o grupo “Gay & Rockers” no Facebook, em 2012, o produtor de festas Evandro Voltoline , 23, acabou encontrando entre os quase 1500 apreciadores do ritmo um namorado, o assistente de marketing Rodolfo Leite , 26.

Rodolfo Leite com o namorado Evandro Voltoline, que se conheceram numa rede social
Arquivo pessoal
Rodolfo Leite com o namorado Evandro Voltoline, que se conheceram numa rede social

Evandro já tinha se interessado pelo perfil de Rodolfo na rede social, mas só decidiu abordá-lo quando o assistente de marketing, que vive no Rio de Janeiro, contou no grupo que estava vindo para São Paulo, a cidade do produtor, em uma semana. Ele aproveitou então para convidar o seu ‘alvo’ para uma festa que ia produzir num clube paulistano. O convite foi aceito e os dois começaram a conversar online.

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A conversa continuou uma semana depois na tal festa em São Paulo, quando Rodolfo decidiu interromper o papo animado para tomar a iniciativa. “Já eram quase quatro da manhã, o Evandro não parava de falar, aí cortei ele com um beijo”, lembra Rodolfo, aos risos.

Depois da festa, eles chegaram a se encontrar novamente antes da volta do assistente de marketing para o Rio, mas não criaram expectativas de se ver novamente. “Eu não queria nada sério, já tinha namorado à distância e tinha sido horrível. Tudo estava indo tranquilamente até a chegada do fim de semana, quando a saudade bateu”, conta Rodolfo, que retomou a conversa com Evandro.

Mesmo com os dois vivendo em cidades diferentes, a relação engrenou e Rodolfo, que já pensava em mudar para a capital paulista, acabou vindo para São Paulo para ficar mais perto de Evandro. Seis meses depois ele teve que retornar ao Rio por questões profissionais, mas mesmo assim o namoro não esfriou.

“Nos falamos todos os dias, geralmente à noite, por horas, via Facebook e WhatsApp (aplicativo de mensagens por celular)”, diz Evandro, que já contabiliza um ano de namoro. “Nosso amor é muito grande, ele sempre faz o possível para nos manter próximos, a mãe dele é uma fofa e me recebe muito bem na casa deles”, conta Evandro, que agora pensa em repetir o gesto do parceiro e se mudar para a capital fluminense.

André Araujo é casado há 7 anos com Ademir Bueno, com quem começou a conversar pela web
Arquivo pessoal
André Araujo é casado há 7 anos com Ademir Bueno, com quem começou a conversar pela web

Na era do Orkut

O relacionamento do arquiteto André Araujo , 32, e do designer Ademir Bueno , 45, começou há sete anos, numa época em que o hoje apagado Orkut ainda reinava como a grande rede social brasileira.

“Fui à feirinha da Parada Gay de São Paulo com um amigo que conheci em uma comunidade da Maria Bethânia, que me apresentou ao Ademir. Fiquei interessado e o adicionei no Orkut”, conta André. Depois de três semanas de bate-papo online, eles se encontraram e o namorou começou.

Ambos contam que as redes sociais funcionam como uma espécie de rede de segurança, fornecendo conforto para conhecer outros gays sem sofrer preconceitos. “O fato de você ver os gostos comuns, as coisas de que o outro gosta, ajuda muito a encontrar alguém, diminui os riscos de decepção”, observa André.

O psicólogo Klecius Borges , especialista em terapia homoafetiva, confirma a percepção de André e Ademir sobre as redes sociais. “Elas conectam os gays e lésbicas, que encontram ali um espaço seguro para se comunicar e começar um diálogo. Não existe aquele desconforto de ir a um lugar e não saber se a pessoa pela qual você está interessada é gay ou não”, analisa o especialista.

Thais Cassoli conheceu a namorada Bruna Salatiel num aplicativo de encontros
Arquivo pessoal
Thais Cassoli conheceu a namorada Bruna Salatiel num aplicativo de encontros

Aplicativos de encontros

Além das redes sociais, os aplicativos de encontros como o Grindr, para gays, e o Brenda, para lésbicas, também funcionam como uma maneira de encontrar alguém, como compravam a produtora musical Bruna Salatiel , 22, e a designer Thais Cassoli , 24.

“Eu fiz o perfil no Brenda para conhecer pessoas e a Thais me chamou. Respondi, e começamos a conversar. Nos encontramos dois dias depois, e em uma semana engatamos o namoro, que já tem dois meses”, relata Bruna, que teve um relacionamento anterior de seis anos iniciado no Orkut.

Bruna admite que a timidez é o motivo principal para ela recorrer à web e aos aplicativos. “Pessoalmente, eu travo demais. Nas redes, consigo ser mais eu mesma. Posso até ficar a fim de alguma menina na balada, mas não vou chegar junto dela”, confessa a produtora, que apagou o perfil no app de encontros. “Agora não precisa mais, né?”.

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