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Para Alessandro Melchior, presidente do Conselho Nacional da Juventude, Governo Federal precisa abandonar aliança com forças conservadoras e investir em pautas progressistas, como a criminalização da homofobia e a descriminalização das drogas

Gay e ativista da causa LGBT, o advogado Alessandro Melchior , 26, está há quase dois meses na presidência do Conselho Nacional da Juventude, o Conjuve. Vinculado a Secretária-Geral da Presidência da República, o órgão que ele preside propõe e discute políticas para os jovens brasileiros.

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Criado em 2005, o órgão ganha relevância em um momento que a juventude brasileira está tomando as ruas do País para exigir políticas públicas mais eficientes e menos corrupção. Por outro lado, a causa LGBT também ganha importância na medida em que a homofobia tem atingindo muitos jovens gays, que sofrem agressões físicas e verbais por conta da sua sexualidade.

Assim que a assumiu o cargo, Melchior apontou justamente o fato de que os jovens são as maiores vítimas dos casos de homofobia no Brasil, de acordo com relatório recente da Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal. 

Melchior entende que o combate a homofobia sensibiliza não apenas os gays, mas grande parte dos brasileiros que tem se manifestado nas ruas ultimamente. “Temas como a legalização do aborto, o combate à homofobia e à descriminalização das drogas têm se tornado caros à juventude brasileira”, observa o presidente do Conjuve, em entrevista ao iGay .

O advogado ressalta a importância dos jovens nos dias atuais. “A juventude brasileira tem um papel crucial na defesa de mais avanços e conquistas para o país. Para isso, a rua é o lugar por excelência. Ocupar as ruas e se manifestar não são apenas um direito, mas um dever na democracia”.

Com essa onda de manifestações, Melchior tem esperanças que o movimento conservador perca forças na política brasileira. “Esperemos que o Governo Federal perceba isso e deixa de lado as alianças com o atraso, que têm barrado o avanço desses temas. Assim como os governos dos Estados e prefeituras”, pontua o advogado.

“Alguns governantes tem colocado em risco o futuro da juventude brasileira, defendendo uma política cada vez mais repressiva e falida em torno das drogas, a redução da maioridade penal, a homofobia e diversas outras pautas reacionárias”, completa Melchior, ressaltando que o grupo conservador que atua contra a diversidade sexual pode também atacar outras liberdades individuais. 

A atividade política de Melchior se iniciou no movimento estudantil da cidadede paulista de São José do Rio Preto, evoluindo logo para um ativismo na causa LGBT. Em 2009, ele assumiu a coordenação da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis (ABGLT).

No ano seguinte, o advogado passou a representar a ABGLT no Conjuve, culminando com a sua eleição para presidir o conselho em 17 de maio deste ano.

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