Tamanho do texto

Sexóloga responde ao leitor que está em dúvida quanto à sexualidade de um amigo

"Há dois anos, me declarei a um amigo. Fiz isso porque ele sempre me olhava de um jeito diferente. Mas depois que eu disse que estava a fim dele, o meu amigo parou de falar comigo. Agora, voltamos a conversar, ele me agarra, faz brincadeiras e troca olhares. Tenho vontade de chegar nele novamente, mas fico em dúvida se ele gosta de homens. O que eu faço?”

O gaydar nem sempre funciona e a dúvida sobre a sexualidade de alguém às vezes permanece?
Thinkstock Photos
O gaydar nem sempre funciona e a dúvida sobre a sexualidade de alguém às vezes permanece?


Muitos gays e lésbicas acreditam que o seu gaydar - a habilidade instintiva para saber quem é ou não homossexual - é infalível, mas muitas vezes esse radar falha. Porque, diferentemente do que se possa pensar, não é fácil identificar a orientação sexual de uma pessoa só pelo seu comportamento ou por sua aparência.

CURTA A PÁGINA DO IGAY NO FACEBOOK 

Hoje, os héteros não são tão estereotipados como no passado. Os homens, especialmente o do tipo metrossexual, cuidam da aparência, do físico, investem em roupas e acessórios, curtem cosméticos, cuidam da pele, do cabelo e da unha. Cuidados que até pouco tem eram tidos como exclusivo do mundo gay.

Já os sinais no comportamento, nem sempre são uma evidência da orientação sexual. Há homossexuais cautelosos que não gostam de se expor, por exemplo. Por outro lado, há também héteros delicados, sensíveis, que abraçam afetivamente um amigo e até fazem algumas brincadeirinhas, tocando em certas partes do corpo do outro. Outros héteros frequentam baladas gays porque sacaram que elas costumam ter mulheres bonitas para paquerar.

Os olhares podem sim sinalizar um interesse, mas é preciso ter cuidado, porque às vezes enxergamos o que queremos ver e não o que realmente está acontecendo.

Portanto, não há melhor forma de saber se uma pessoa é gay do que perguntando diretamente para ela. Isso não agride, nem é invasivo. Pelo contrário, é apenas uma forma de esclarecer as coisas antes de agirmos.

No seu caso, caro leitor, percebo que sua dúvida continua mesmo após tanto tempo de convivência. Aliás, tempo esse que deveria funcionar como um facilitador para conhecer melhor os sentimentos do seu amigo.

Porque, independentemente da orientação sexual do seu amigo, existe um sinal que você está se  recusando a aceitar: a rejeição. Você já se declarou no passado e ele se afastou.

É hora de seguir em frente, recolher seus sentimentos e oferecê-los, posteriormente, para alguém que deseje de fato viver bons momentos com você.

Se você tiver alguma dúvida ou questão para Fátima, mande uma mensagem para o e-mail: siteigay@ig.com.br .

____________________________________________________________________________

Fátima Protti é psicóloga, terapeuta sexual e de casal. Pós-graduada pela USP e autora do livro “Sexo, Amor e Prazer”. www.fatimaprotti.com.br

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.