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Ouvidas pela reportagem do iG, paulistanos classificaram a proposta da CDHM como absurda, antidemocrática e volta à Idade Média

Aprovado na última terça-feira (18) pela Comissão dos Direitos Humanos e Minorias do Congresso Nacional (CDHM), o projeto que permite o tratamento psicológico de “reversão” da homossexualidade foi amplamente rejeitado pelas pessoas ouvidas pela reportagem do iG nas ruas de São Paulo. 

"Fere completamente a liberdade do ser humano", criticou o especialista de sistemas Anderson Pavanello, 33.  “Acho que esse cara é louco, como a pessoa vai curar o que não é doença?”,  questionou o operador de máquinas Jackson Queiroz , 18, se referindo ao presidente da CDHM, o pastor evangélico  Marco Feliciano (PSC-SP). 

O coordenador de contas  Samir Helal , 42, apontou o retrocesso representado pelo projeto. “É uma regressão. Algo que há tanto tempo é visto como natural... Isso não passa de uma volta à Idade Média, à repressão”. 

“Numa sociedade que se diz democrática e livre, é uma proibição de condição de existência, do que a pessoa não escolhe ser”, opina o estudante  João Seckler , 16. 

“Um pastor evangélico que diz ser um fato que os negros provêm de uma raça amaldiçoada? É triste que um pastor que diga isso dirija a comissão”, prossegue João, se referindo a uma declaração de Feliciano.  

A coordenadora de dublagem Luciana Branco , 33, tenta ver o lado não negativo da medida. “Se alguém quer uma cura por ser gay é porque está em conflito, ela está sofrendo. (O projeto) pode ter um resultado positivo, não para curar, mas para aceitar essa condição, porque ser gay é uma condição”, analisa.  

Entrando no coro da população, famosos também têm se manifestado contra ao projeto. Bruno Gagliasso , Marcos Mion, Antonia Fontenelle  e Thammy Miranda, entre outros, foram às  redes sociais para criticar o projeto da CDHM. Em entrevista ao iG, a atriz Vera Holtz afirmou: "O que o Marco Feliciano está fazendo é uma afronta a mim como pessoa."

O que o Marco Feliciano está fazendo é uma afronta a mim como pessoa." (Vera Holtz, atriz)

Depois da aprovação na CDHM, o projeto de 'cura gay' vai para as comissões de Seguridade Social e Família e de Constituição e Justiça. Caso seja aprovada nesta duas instâncias, a proposta será votada no plenário do Congresso Nacional.  


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