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“O corpo é meu e dou para quem quiser, incluindo outra mulher”, foi um dos gritos ouvidos na 11ª Caminhada das Lésbicas e Bissexuais, em São Paulo

A 11ª Caminhada das Lésbicas e Bissexuais movimentou a Avenida Paulista na tarde deste sábado (01), em São Paulo. Carregando cartazes de protesto e um enorme bandeira do arco-íris, centenas de mulheres e homens caminharam pela via em direção ao centro, pedindo o fim do preconceito, do machismo e do racismo. 

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A mulheres eram maioria no protesto, mas também havia homens no local. Os manifestantes ocuparam três pistas do sentido centro da Paulista. A caminhada seguiu da avenida para a Rua Augusta, tendo como ponto final a Praça Roosevelt, onde um palco foi montado para apresentação de DJs e das bandas  Joana Flor e Santa Claus, entre outros artistas. 

Organizada pela Associação Brasileira de Lésbicas, a caminhada contou pela primeira vez com o apoio da Prefeitura para sua realização.  O tema desta edição foi “O Estado é Laico - Construindo Direitos, Desconstruindo Preconceitos: Basta de Lesbofobia!”. 

Defendendo o tema estado laico, a transexual Maite Schneider discursou.  “Quando alguém se sentir no direito de invadir o seu espaço e falar que Jesus te ama, responda: 'Eu sei, e um dia ele vai te amar também' . Cada um deve ter a sua fé e respeitar a do outro. Isso não pode interferir em decisões do Estado”, ressaltou Maite. 

“ Venho desde a primeira caminhada. Nesses 10 anos, a causa lésbica avançou bastante, porém falta muito ainda”, disse Silvana Conti , 50, que participa da Liga Brasileira de Lésbicas e que veio de Porto Alegre para a manifestação.

Durante a caminhada, mulheres entoaram gritos de protesto, exigindo respeito. “Somos invisíveis ao mundo e também à causa LGBT, Sapatão merece respeito”, disseram as manifestantes em coro. 

Durante todo o trajeto, a frase “O corpo é meu e dou para quem quiser, incluindo outra mulher”  foi repetida diversas vezes. Assim como gritos de apoio ao feminismo e a  descriminalização do aborto. 

As professoras Ana Maria Oliveira , 53, e Carmem Almeida ,59, juntas hà 13 anos, contaram que preferem a caminhada à Parada Gay pelo caráter mais politizado da primeira. “Apesar de contar com mais gente, a Parada perdeu um pouco o tom, preferimos vir hoje para mostrar pelo que estamos lutando”. explica Ana.

Militantes criticavam o machismo no país
J. Duran Machfee/Futura Press
Militantes criticavam o machismo no país

Sonia Carvalho , 48, foi acompanhada do filho Eduardo ,13. "Minha mulher está lá na linha de frente, fiz questão de vir e trazer meu filho. Porque quero que ele cresça respeitando a diversidade, que não faça parte desse mundo intolerante e violento que existe hoje, observou Sonia. 

O evento integrou a programação do mês do Orgulho LGBT, que termina no próximo domingo (2), na Avenida Paulista, com a realização da 17ª Parada do Orgulho Gay de São Paulo.

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