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Filme conta a história da travesti Cláudia Wonder, que, em meio a plumas, paetês, saltos altos e lábios vermelhos, foi uma grande ativista dos direitos homossexuais nos anos 80

Claudia Wonder em minicurta do Mix Brasil (2007). A foto foi comprada para o acervo da Pinacoteca de SP
Claudia Guimarães
Claudia Wonder em minicurta do Mix Brasil (2007). A foto foi comprada para o acervo da Pinacoteca de SP


Claudia Wonder era uma personagem onipresente na noite paulistana nos anos 80. Ela cantava, dançava, atuava, posava para fotos, fazia as indefectíveis performances obrigatórias na época. E essa era apenas a sua face festiva. Sua face combativa era mostrada quando ela militava pelos direitos homossexuais, pelas relações homoafetivas, para derrubar o espectro de marginalidade que envolvia travestis e transexuais no país - naquela época muito mais ainda do que hoje.

"As pessoas falam que travesti não é nada, não é homem e nem mulher. Na verdade, o travesti é tudo: homem e mulher", diz ela, em depoimento registrado no documentário "Meu Amigo Cláudia", dirigido por Dácio Pinheiro e com estreia em circuito comercial marcada para dia 30 de maio, no  fim de semana da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo , que acontece no domingo (2 de junho). “A presença de Claudia deve representar a suprema transgressão”, escreveu Caio Fernando Abreu (1948-1996) em crônica que dá nome ao filme e foi publicada no Estadão nos anos 80. Naquela época, tanto Caio como "seu amigo" Cláudia fervilhavam pelo underground paulistano, enquanto na superfície o Brasil ainda se livrava dos últimos rastros da ditadura e reconquistava sua liberdade de expressão.

Claudia Wonder ser um  travesti que circulava com naturalidade pelas ruas de São Paulo era por si só um ato de militância, e não foram poucas as vezes em que ela foi xingada, agredida e até presa. O documentário reúne depoimentos de vários artistas que dividiram a cena dos anos 80 com Cláudia e Caio, assim como o diretor José Celso Martinez Corrêa , o cantor Kid Vinil , os atores Grace Gianoukas e Sérgio Mamberti e o poeta Glauco Mattoso , entre outros.

Nascida Marco Antônio Abrão, Cláudia Wonder teve passagens pelo cinema - fez o primeiro filme pornô brasileiro com uma travesti, "Sexo dos anormais", além dos longas "O Marginal" e "A Próxima Vítima", participou da peça de teatro "O Homem e o Cavalo", dirigida por Martinez Correa, e foi vocalista das bandas de rock Jardim das Delícias e Truque Sujo. Em 2007, lançou seu CD solo, “Funkydiscofashion”. Ela morreu em novembro de 2010, aos 55 anos. 

Assista ao tralier do filme: 

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