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No concurso para eleger a mais bela drag do estado, as candidatas não podem ter silicone no corpo e nem se vestir de mulher no dia a dia

Quem é mais bela a drag queen de São Paulo? Essa pergunta será respondida em um mês, quando se realiza, no dia 25 de junho, o concurso Miss São Paulo Gay. A disputa é uma etapa regional da versão nacional, que acontece no próximo semestre, em data ainda não definida, na cidade mineira de Juiz de Fora.

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Para participar do concurso, os homens que encarnam as drags têm que seguir algumas regras. Por exemplo, eles não podem usar nenhum tipo de prótese de silicone no corpo. Vestir roupas de mulher 24 horas no dia a dia também é proibido. As restrições se justificam porque já existe um concurso para transgêneros.

As regras do Miss Gay São Paulo têm uma cláusula “anti-barraco”, que desclassifica as drags que se envolverem em eventuais brigas. Na edição 2012, o clima pesou quando uma torcedora de outra candidata tentou agredir a miss campeã daquela ano, Nádia Le’roah. “Este tipo de coisa infelizmente acontece, mas estamos reforçando a segurança neste ano”, promete Luiz Carlos Santos , diretor presidente da etapa paulista do concurso.

Representante da cidade de Jandira, o cabeleireiro Fabiano Santos, 22, subirá ao palco como a drag Brendha Mitchell . “Quando estou de Brendha, me sinto a mulher mais elegante do mundo. Com um sapato de salto maravilhoso me sinto nas alturas, uma mulher chique e inteligente que tem muitos fãs”, revela Fabiano, falando o que sente quando está vivendo a personagem.

Fabiano conta que uma birra com um conhecido foi a motivação para a sua primeira participação no concurso. “Eu fui maquiar um amigo para o Miss, mas ele disse que não confiava no meu trabalho . Na hora, falei que tudo bem. Mas depois, me montei, subi no salto e ganhei, ele ficou em quarto lugar”, alfineta Fabiano, sem disfarçar o orgulho.

Alter ego da drag Jamily Viana , Jamerson Caio, 23, se encanta com o transformismo desde os seus 18 anos. Também fã dos concursos, o namorado dele o incentivou a entrar na competição de drag mais bela. “É uma realização completa”, observa Caio, que concorre representando São Paulo capital.

Jamily Viana: De drag me sinto completa
Arquivo pessoal
Jamily Viana: De drag me sinto completa

Mantendo a tradição dos concursos de beleza, o cabeleireiro Alexandre Ramos de Lima, 30, já tem nada ponta da língua o seu discurso de boas intenções, mas ele não vai pedir a paz, como muitas misses.

“Além de mostrar o trabalho, de se sentir linda com a maquiagem e cabelos impecáveis, ser miss é também levantar bandeiras, mostrar que existe espaço para todos, ajudar acabar com essa violência que tem afetado tanto os gays”, defende Alexandre, que concorre como a drag Soraya Montenegro, pela cidade de São José dos Campos. 

O concurso de Miss Gay São Paulo teve início em 1990, na boate paulistana Nostro Mondo. A vencedora foi drag Silvetty Montilla , que aliás será a apresentadora da edição deste ano.

Neste ano, 21 drags concorrem a coroa Miss São Paulo e a R$ 17 mil em prêmios. No júri do concurso, entre outras, estarão as celebridades como a empresária Cozete Gomes e a atriz Mariana Mesquita , ambas participantes do programa “Mulheres Ricas”, da Band.

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