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“Nós viemos fazer girar a roda dos costumes”, diz universitário da USP que vestiu, assim com seus colegas, roupas tidas como femininas para apoiar a liberdade de expressão

A semana está terminando mais colorida e mais diversa na Universidade de São Paulo. Em apoio ao colega Vitor Pereira , 20, criticado por usar saia na sala de aula, universitários da instituição de ensino mais importante do Brasil subverteram os padrões tradicionais no modo de se vestir para protestar contra o preconceito e em apoio à liberdade de expressão.

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“Nós viemos fazer girar a roda dos costumes”, aposta José Calixto, músico e estudante da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), contando porque decidiu protestar na última quinta-feira (18) . Assim como Vitor, muitos alunos da USP foram paras suas aulas usando saias e vestidos. As alunas, por sua vez, vestiram gravatas e pintaram ou usaram bigodes falsos, no movimento que ficou conhecido como “USP de Saia”.

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Gabriel, estudante de Letras (FFLCH), revela que quem o ajudou a montar o figurino de saia e corpete foi a mãe. “Ela que escolheu a saia, e falou para eu colocar as meias!”, explica o estudante. “(O movimento) faz as pessoas repensarem a posição delas, e repensar é doloroso. É por isso que eles se irritam; pois estamos obrigando a sociedade a repensar o papel de gêneros”, opina o universitário.

Espalhado pelas diversas unidades da USP, o evento teve seu foco principal no campus da universidade, na Zona Oeste de São Paulo. A Praça do Relógio foi o ponto central do movimento.

Além das saias, os estudantes seguravam cartolinas com frases de protesto. Um delas dizia: “Estou de saia porque saio com a roupa que quiser”. “Gênero é uma convenção social”, era a afirmação de outro cartaz.

O “USP de Saia” surgiu em protesto pelas ofensas sofridas por Vitor numa rede social, depois dele ir para aula vestindo uma saia, no dia 24 de abril, no campus da Zona Leste da universidade, onde ele estuda no curso de Moda e Têxtil.

“Gênero e sexualidade são coisas diferentes. Roupa não tem gênero, no processo de criação você não coloca a sexualidade. Existem roupas direcionadas, mas todo mundo pode usar o que quiser. Ou deveria”, conclui o próprio Vitor.

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