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Com a adoção da filha Laura oficializada na última semana, Camila e Vivian celebram a data: “É incrível ler naquele documento - certidão de nascimento - nossos nomes no campo ‘filiação’”

A gestora financeira Camila Ribeiro de Souza , 29, e a jornalista Vivian Fiorio , 32, estão experimentando um sentimento especial neste domingo (12). Esse é o primeiro Dia das Mães do casal. Mas o centro das atenções desta data não são elas, mas a sapeca Laura Ribeiro de Souza Fiorio . Adotada pelas duas, a menina de 2 anos é oficialmente filha delas desde a última segunda-feira (06), quando o processo de adoção foi finalmente completado e a certidão de nascimento dela chegou. 

“Na verdade, estamos empolgadas para vivenciar cada data com ela. Dia da Criança, Natal, Páscoa e até o Dia do Índio”, brinca Vivian, que foi a responsável por buscar a certidão de nascimento de Laura no cartório. “É incrível ler naquele documento nossos nomes no campo ‘filiação’”, constata a jornalista.

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Em julho de 2012, Laura veio viver na casa das suas duas mães, em Curitiba. “Nosso primeiro dia com ela foi muito gostoso, fizemos um café da manhã cheio de frutas e gostosuras”, recorda Camila. “Ela ficava indo ao quarto dela, pegando cada brinquedo e cada roupa, levando para a gente ver na sala. Foi delicioso ver esse serzinho descobrindo um espaço que seria dela”, completa.

“Tudo mudou, de repente tínhamos que trocar fraldas, escovar dentinhos, preparar mamadeira, fazer almoço super nutritivo”, conta Vivian, sobre a rotinha alterada com a chegada da filha. O jeito de ser portar diante da vida também mudou, claro. “Eu sempre fui muito focada na vida profissional, nunca pensei que isso ficaria em segundo plano com a chegada de um filho. Hoje, a Laura vem em primeiro lugar”, prossegue a jornalista.

10 meses depois da chegada de Laura, as duas mães vivem o processo de educar um ser humano para o mundo. Mas elas admitem que a filha também ensina. “Percebemos que ela aprende muita mais com os nossos exemplos do que com os nossos conselhos. Ela imita tudo o que fazemos, e isso fez com que mudássemos até a nossa alimentação”, explica Camila.

“Na verdade, estamos empolgadas para vivenciar cada data com ela. Dia da Criança, Natal, Páscoa e até o Dia do Índio”

E na hora de dar bronca, quem assume essa função. “No início, eu acabava sendo mais a mãe que brinca, que paparica. A Vivian era a mãe que colocava mais ordem na bagunça. Mas depois de um tempinho, acabamos misturando as funções e hoje intercalamos bem”, responde Camila.

Diante da resposta, Vivian não se segura e se diverte fazendo uma provocação. “A Camila chega em casa e já tem a filhota pronta só pra curtir e brincar”, ironiza a jornalista, que trabalha em casa e acaba assumindo as tarefas do dia a dia, como fazer a comida, vestir a filha e levá-la para a escola. A esposa leva numa boa a brincadeira da parceira e ressalta o a importância do trabalho em dupla na criação de Laura.

Camila:
Arquivo pessoal
Camila: "Parece que a Laura muda de fase a cada mês e nós corremos para acompanhá-la"

O restante da família compartilha o entusiasmo das duas desde que a notícia que elas iam adotar uma criança foi dada. “Um dia recebi a ligação da minha mãe perguntando quantos sapatinhos deveria tricotar e qual o tamanho do pé. Pois, segundo ela, vó que é vó tem que ter sapatinho pronto”, lembra Vivian.

“Assim que fomos conduzidas para a adoção da Laura, recebemos uma foto e mandamos para as nossas mães. Todo mundo ficou apaixonado. Meu pai colocou a foto no celular e carregava para cima e para baixo”, descreve Vivian. O desejo de adotar era compartilhado pelas duas. Ele ficou mais forte em 2011, quando procuraram o fórum para dar início ao processo.

Com o apoio de um grupo que ajuda pessoas interessadas em adotar, Camila e Vivian descobriram que havia uma criança com o perfil que elas haviam indicado em Belo Horizonte. Elas foram para a cidade mineira imediatamente, e passaram uma semana numa processo de aproximação com Laura, em um abrigo de menores.

“Essa primeira semana foi delicadíssima. As coisas não saem como a gente imagina, a criança não é um boneco, ela tem vontade própria e muitas vezes a vontade dela não é mudar de vida”, esclarece Vivian. Mas com apoio da Vara de Família local, as coisas foram se ajeitando aos poucos.

“Essa primeira semana foi delicadíssima. As coisas não saem como a gente imagina, a criança não é um boneco, ela tem vontade própria e muitas vezes a vontade dela não é mudar de vida

HIV+, Laura havia sofrido preconceito nos seus primeiros meses na instituição assistencial. “Por ignorância e medo de contrair o vírus, a equipe do abrigo lidava apenas o necessário com ela. Então a Laura passava os dias em um chiqueirinho com uma boneca”, narra Vivian.

As mães relatam ainda que Laura se sentia insegura e chorava quando elas tentavam a pegar no colo. Camila e Vivian conseguiram passar por esse momento com a ajuda de uma assistente social, que as tranquilizava, dizendo que a menina estava tendo uma reação natural.

Com o tempo, elas foram ganhando a confiança da menina. Com a semana de adaptação terminada, Laura foi para a sua nova casa em Curitiba, e foi a cada dia ficando mais próxima de Camila e Vivian, ao ponto de trocar a palavra ‘tia’ por ‘mãe’ na hora de chamá-las.

Hoje, as duas mães só pensam em ver a filha crescendo saudável e feliz. Sobre o futuro das delas, Vivian faz uma previsão. “Acho que seremos três grandes cúmplices, amigas e parceiras”, conclui.

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