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Estudantes pedem respeito à diversidade sexual e denunciam crimes contra homossexuais no campus. Direção da universidade não se manifesta

Panfleto da Frente LGBTT da USP
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Panfleto da Frente LGBTT da USP

“Organização, Consciência e Luta: o Movimento LGBTT Em Tempos de Ascensão Conservadora”. É com esse lema que mais de 150 universitários se reunirão na noite desta quinta-feira (25), no auditório do curso de Geografia, na Universidade de São Paulo (USP).

A reunião marca o lançamento da Frente LGBTT, que pretende representar na universidade os segmentos identificados pelas inicias da sigla, ou seja, Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Transgêneros. 

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“A USP foi pioneira em diversos momentos da história LGBTT desde a década de 1970, com o movimento SOMOS. Depois, na década de 1990, com o CAEHUSP (Centro Acadêmico de Estudos do Homoerotismo da USP), que ajudou a criar a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays e Transsexuais, e por fim, nos anos 2000, o grupo PRISMA”, explica William Santana Santos , estudante e organizador do movimento. “Porém, de lá para cá, não existiu nenhum grupo que tocasse essa pauta na universidade efetivamente”, pondera.

Santos diz que a intenção é instituir um espaço de debate, de apoio aos homossexuais e de luta contra a opressão homofóbica dentro da universidade. O grupo foi criado a partir de uma demanda de ativistas dentro da USP.

“A universidade ainda é bastante complexa em relação às questões LGBTT. Por mais que pareça um ambiente mais libertário, em que as pessoas são menos oprimidas, ainda é um espaço bastante opressor, que impede as pessoas de se expressarem”, diz Pedro Henrique Adonísio , estudante do curso de Ciências Sociais e também organizador do movimento.

William relembra alguns fatores importantes para o pontapé inicial do projeto, como o caso do jornal “O Parasita”, da Faculdade de Farmácia, que incitava os estudantes a jogar fezes nos homossexuais, e a expulsão de dois estudantes gays que estavam se beijando no estacionamento por seguranças da instituição.

Frente LGBTT quer respeito a diversidade sexual na USP
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Frente LGBTT quer respeito a diversidade sexual na USP

“Em ambos os casos, a reitoria alegou que não iria fazer nada porque tinha medo de ser autoritária. Não dá para falar que a USP tem uma política insatisfatória com as causas LGBT e sim que ela não tem política nenhuma. Eles apenas engavetam os casos e nada se resolvem”, opina William.

Além dos estudantes, a causa ainda ganha uma ajuda extra no lançamento com a presença do professor Ferdinando Martins, coordenador do programa USP Diversidade, que busca desenvolver ações que estimulem a solidariedade e o respeito aos Direitos Humanos, e do DCE-Livre (Diretório Central dos Estudantes).

“O DCE apoia toda e qualquer política contra repressão dentro da universidade”, afirma Thales Carpi , diretor do órgão, acrescentando que concorda com as afirmações dos estudantes em relação à inexistência de uma política LGBT por parte da reitoria.

“A reitoria não está em consonância com os universitários. As medidas em casos de homofobia e até de agressão são praticamente inexistentes, só existindo quando há uma pressão dos universitários. Na USP temos um perfil antidemocrático, onde uma parcela muito pequena e burocrática decide as coisas. O que acaba com a própria reitoria dando as costas para os interesses dos universitários”, observa Thales.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da instituição não se manifestou até a publicação desta matéria sobre o surgimento da frente, nem a respeito das acusações dos militantes.

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