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Profissionais dizem que o público LGBT é mais educado, não briga e paga bem

De terno e gravata, mantendo a coluna ereta e com ‘cara de poucos amigos’, Evaldir Zanona se posiciona junto à porta de uma balada LGBT paulistana, controlando rigorosamente a entrada dos clientes. Mas não se deixe enganar pelo semblante severo dele, o chefe de segurança clube Yatch não está lá a contragosto, pelo contrário. “Se eu puder escolher, prefiro trabalhar com o público gay. É muito melhor”, afirma ele, sem demonstrar dúvida.

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E Zanona não está sozinho. Assim como ele, muitos outros profissionais desta área dão prioridade às casas noturnas direcionadas ao público homossexual. “Os gays são educados na hora de tratar a gente. Nas baladas de héteros, muitas pessoas costumam ser arrogantes”, opina o segurança Genicio de Souza Chagas , o Souza, apontando um dos motivos da preferência em trabalhar com esse público.

A segurança Fabiana Cristina concorda com o ponto de vista de Souza. “Nas baladas que só tem hétero, basta um pisão no pé pra estourar briga. Com os gays isso dificilmente acontece, eles são um povo muito mais tranquilo, educado”, pontua Fabiana.

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Há dois anos trabalhando com o público gay, Marcelo Viera diz que as baladas para homossexuais não estão livres das brigas, mas que os desentendimentos geralmente ficam no bate-boca e raramente descabam para a agressão física. “É sempre por motivo passional, briguinha de namorado mesmo, mas é raro acontecer”, descreve o segurança.

Os profissionais dizem ainda que seus familiares não têm o menor preconceito com o trabalho deles. “Ninguém fala nada, nem tem do que reclamar, né? Você leva dinheiro pra casa e ainda chega inteiro. É bem melhor do que ser obrigado a fazer fisioterapia todo mês por causa das brigas de marmanjo no pagode que nós somos obrigados a separar”, brinca Souza.

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“Eu tenho um irmão gay em casa, estou acostumada, não é nada demais”, revela Fabiana, acrescentando que o único constrangimento deste tipo de trabalho acontece tanto em casas noturnas gays quanto as heterossexuais. “É sempre chato ter que tirar casal assanhado do banheiro, mas isso acontece em todo o tipo de balada”.

“Nas baladas que só tem hétero, basta um pisão no pé pra estourar briga. Com os gays isso dificilmente acontece” (Fabiana Cristina)

Mas as motivações da preferência destes profissionais não se resumem ao comportamento educado do público homossexual? O bolso também faz a diferença. “Na balada GLS se ganha melhor, o público tem mais dinheiro e casa acaba pagando mais. Sem contar que gay sai durante semana toda. Então, todo dia tem trabalho”, ressalta Marcelo.

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A Faqui, companhia responsável pela segurança de muitas casas noturnas de São Paulo, confirma a boa impressão dos profissionais. “Os seguranças gostam de trabalhar com este público, pois não dá problema. Os gays frequentam as festas para se divertir e não para arrumar briga”, esclarece Rafael Monteiro , gerente operacional da empresa.

A ferveção é muita, mas nem por isso os gays que vão pra balada dão trabalho aos seguranças
Facebook/Frederico Evaristo
A ferveção é muita, mas nem por isso os gays que vão pra balada dão trabalho aos seguranças

Gratos ao trabalho proporcionado por esse público, os seguranças ouvidos pela reportagem não perdem a linha nem quando um cliente mais atirado avança o sinal. “A gente trata com o mesmo profissionalismo que trata uma cantada de mulher”, sentencia Evaldir

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