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Flávio Gikovate acredita que alternância entre heterossexualidade e homossexualidade será comum entre as pessoas

Nesta semana, Daniela Mercury surpreendeu muita gente ao revelar seu romance com a jornalista Malu Verçosa . Recém-separada do empresário Marco Scabia , a cantora assumiu com coragem e elegância o seu amor por uma mulher.

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Coincidentemente, o comportamento de Daniela casa perfeitamente com o tema do novo livro do conhecido psiquiatra Flávio Gikovate . Na obra “Sexualidade Sem Fronteiras” (MG Editores), o autor diz que num futuro breve a sociedade vai derrubar o ‘Muro de Berlim’ que separa a homossexualidade da heterossexualidade.

Daniela Mercury passou de uma relação heterossexual para uma homossexual. Para Gikovate, muitas pessoas seguirão o exemplo dela no futuro
AgNews
Daniela Mercury passou de uma relação heterossexual para uma homossexual. Para Gikovate, muitas pessoas seguirão o exemplo dela no futuro

Gikovate acredita que assim as pessoas não precisarão mais se definir como portadoras de uma orientação sexual definitiva, que nunca muda ao longo da vida. “A derrubada do muro permite aos habitantes de um lado migrar para o outro – e vice-versa – quantas vezes isso lhes parecer razoável e adequado”, escreve o autor no livro, descrevendo essa possibilidade de alternância entre heterossexualidade e homossexualidade.

Flavio Gikovate:
Divulgação
Flavio Gikovate: "Quem irá definir a orientação sexual será o encantamento amoroso"

“Em breve, quem irá definir a orientação sexual será o encantamento amoroso”, aposta o psiquiatra .

Esse tipo de relacionamento, baseado no interesse por pessoas e não pelo gênero masculino ou feminino, é para ele a melhor maneira de ter liberdade sexual e prazer.

Autor com mais de 600 mil livros vendidos, Gikovate diz que essa flexibilidade na sexualidade contribuirá para uma sociedade menos preconceituosa, com a homossexualidade e bissexualidade sendo tratadas com mais naturalidade. No entanto, ele reconhece que o preconceito ainda é muito forte.

Em entrevista ao iGay , Gikovate falou sobre essa nova forma de amar e também sobre a dificuldade que muitas pessoas ainda têm em assumir sua sexualidade como fez Daniela, entre outros assuntos.

iG: Qual o novo paradigma em relação à sexualidade?

Flávio Gikovate: Acho que é fundamental separar amor do sexo, entender que o desejo, principalmente visual e masculino, é diferente da excitação, que é mais voltada para dentro, enquanto o desejo é dirigido para fora. Acho que as trocas de carícias, que são próprias do clima lúdico e governadas pela excitação, podem se dar independentemente do gênero do parceiro.

iG: Vamos nos interessar por pessoas e não mais por gêneros então?

Gikovate: Sem dúvida alguma. Penso que, em breve, quem irá definir a orientação sexual será o encantamento amoroso. Se o amor migrar de um parceiro para outro de gênero diferente, o erotismo tenderá a migrar junto. Isso quando conseguirmos algo ainda difícil, que é acoplar o sexo ao amor e não à agressividade, como acontece hoje.

iG: É possível a pessoa ser hetero a vida toda e ter um único relacionamento gay?

Gikovate: Sim. Isso é um tanto comum com mulheres, que, por vezes, transam com mais um casal ou uma amiga. Assim como acontece com certa frequência entre homens, nos presídios ou no exército. Isso sem falar do fascínio que os heterossexuais sentem pelo travesti, sendo fato que esse é o público que os frequenta.

iG: O senhor falou em sexo lúdico, o que isso significa exatamente?

Gikovate: O sexo lúdico é aquele em que não existe preocupação com desempenho, com impressionar o parceiro e nem com a perfeição dos corpos. Corresponde a uma troca de carícias eróticas despojada de objetivos que não sejam os do prazer recíproco. É o que fazem as crianças quando brincam de ‘médico’. O clima erótico desse tipo pode ser criado tanto no seio de vínculos afetivos como em práticas casuais em que não exista o desejo de se exibir como muito competente sexualmente.

Não existe fronteiras na sexualidade para Gikovate
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Não existe fronteiras na sexualidade para Gikovate

iG: Alguns pais têm pavor que o filho seja gay. Por que as pessoas ainda lidam tão mal com a homossexualidade?

Gikovate: Penso que é puro preconceito. Penso que o pavor de que ele venha a ser gay contribui para sua sensação de discriminação desde a infância e isso não ajuda em nada sua evolução emocional.

iG: É por isso que muita gente não consegue sair do armário e continua sendo infeliz?

Gikovate: É por medo de represálias tanto as relacionadas com a vida e a estrutura familiar de onde vieram como aquelas que dizem respeito à vida profissional. Muitos são os trabalhos em que ainda existe discriminação.

iG: Homossexuais com relacionamentos longos enfrentam as mesmas questões que os heteros: rotina, falta de desejo e desinteresse?

Gikovate: Sim. Não há diferenças nem para melhor e nem para pior. A vida a dois é determinada por fatores relacionados com o cotidiano e fatores que são decorrentes do amor, sendo tudo isso presente em todos os tipos de relação.

*Com reportagem de Renata Reif 

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Lançamento do livro "Sexualidade Sem Fronteiras", de Flavio Gikovate. 
Palestra e sessão de autógrafos - Segunda-feira (08), 19h, no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. São Paulo-SP

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