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Usando o beijo como forma de protesto, jovens fazem um descontraído beijaço na Avenida Paulista para pedir a saída de Marco Feliciano da CDHM e respeito aos homossexuais


Pela terceira semana consecutiva, pessoas se manifestaram nas ruas de São Paulo, neste sábado (23), contra a permanência de Marco Feliciano (PSC-SP) na Comissão de Direitos Humanos do Congresso Nacional. Mas desta vez, os cartazes e as palavras de ordem deram lugar um gesto de protesto diferente: o beijo. E assim, um variado grupo de jovens pediu a renúncia do político e o respeito aos direitos dos homossexuais num beijaço em plena Avenida Paulista.

“O que a gente quer é amar e viver em paz com os mesmos direitos”, explica a ideia do descontraído protesto, o advogado Luís Arruda , 35. “Pessoas como o Feliciano estão pregando o ódio”, acrescenta ele, que é um dos coordenadores do grupo Mães pela Igualdade, que reúne familiares de homossexuais em prol dos direitos dos gays.

Marcado para as 17h, o ato começou tímido, mas foi tomando corpo aos poucos. Na primeira hora do protesto, um imenso guarda-chuva com as cores do arco-íris aparece ali no meio da Praça do Ciclista, centro do protesto, e chama a atenção. Quem estava com ele era Augusto Patrini , 32 anos, historiador e um dos organizadores do evento, e o seu namorado Tarki , 26, estudante. Eles foram o primeiro casal a se beijar.

Recuperado o fôlego do beijo inaugural, os rapazes falaram com a reportagem do iGay. Juntos há três meses, os dois se conheceram num famoso clube da Rua Frei Caneca, tradicional endereço gay paulistano. Tarki, que até então não era lá muito engajado, estava debutando em seu primeiro beijaço. “Foi ele quem me trouxe”, disse o estudante referindo-se ao parceiro Augusto.

Próximo a eles, um casal de meninas também entra na onda e começa a se beijar. São Gabriela Rodrigues , 21, estudante de comunicação e Catharina , 23, estudante de relações internacionais. Elas ficaram sabendo do ato pelo Facebook e fizeram questão de comparecer: “Feliciano não nos representa. Ele não pode exercer um cargo numa Comissão de Direitos Humanos”, alerta Catharina.

Aliás, boa parte dos manifestantes estava na casa dos 20 anos de idade. Um grupo de meninas bem novas chamou a atenção. Sentadas no chão, elas fizeram na hora mesmo os cartazes com frases de protesto. “Eu penso que é muito importante estar aqui. Temos que protestar! Não tem condições uma pessoa que fez tantas declarações racistas, machistas e homofóbicas estar à frente da CDHM”, conclama Camilla Cabral , estudante de 23 anos, que, apesar da pouca idade, já mostra postura e discurso de militante experiente.

Com a Praça do Ciclista já ocupada pelos manifestantes, Thiago Costackz , 28, artista plástico, puxou um coro para não deixar o movimento dispersar. “Vamos gente, vamos beijar!”. Nesse momento, casais homo e hétero, que saíram de suas casas nos mais variados cantos de São Paulo, se empolgam e voltam a se beijar.

Desde que Feliciano assumiu a CDHM, manifestações contra a permanência do parlamentar já ocorreram em todo o Brasil. Famoso por declarações racistas e homofóbicas, a nomeação causou indignação para além da comunidade LGBT e vários artistas, como a apresentadora Xuxa e a cantora Gaby Amarantos , já se posicionaram pública e espontaneamente contra a manutenção dele no cargo.

Outra característica destes protestos, é que eles não têm ligação política com partidos políticos e não vão contra nenhuma religião. Tanto é que, o casal Laércio Candido , 31, e Edilson da Silva , 24, são cristãos e frequentadores da Pastoral da Diversidade, e deixaram de ir à paróquia para comparecerem no beijaço. “Nós gostamos de participar do mundo LGBT como militantes”, afirma Edilson.

O beijaço ocorreu de forma totalmente pacífica e foi encerrado sem brigas ou confusões. “Se o Feliciano não sair, semana que vem tem mais”, avisa Thiago Costackz, mostrando que o animo e o fôlego dos manifestantes ainda não se esgotou.

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