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Estados Unidos debatem o fim da proibição de homossexuais participarem da maior organização de escotismo do país

A pergunta que dá título a esta matéria está provocando um debate quente nos Estados Unidos. Uma das maiores organizações de escotismo de lá, a Boy Scouts of America (BSA), está promovendo uma imensa pesquisa entre os escoteiros e seus pais para responder o questionamento. 1,1 milhão de formulários foram distribuídos pelo país.

Hoje, gays não podem ser escoteiros e nem líderes de turma no BSA. A presença deles é totalmente proibida. Aliás, uma mulher, que era líder e foi banida da organização por ser lésbica, é um das impulsionadoras deste debate.

Jennifer Tyrrell , 32, foi desligada em março do ano passado. A direção da organização alegou que a orientação sexual dela não combinava com “os elevados padrões” da BSA. Ela, que se voluntariou na organização por causa do filho escoteiro  Cruz , 7, teve que sair.

A ex-líder de turma não aceitou a demissão com resignação. Pelo contrário, ela iniciou uma campanha para por fim a proibição, criando um abaixo-assinado que pede apoio de outras pessoas para a sua causa, exigindo o fim da descriminação.

No site Change , que hospeda diversos abaixo-assinados, inclusive o da líder demitida pelo BSA, Jennifer relata sua história:

“Meu nome é Jennifer Tyrrell. Sou uma devotada companheira, mãe, amiga e liderança na comunidade de Bridgeport, Ohio. Eu também sou uma ex-líder do centro Tiger Cub, filiado ao Boy Scouts of America (BSA). Eu fui recentemente removida desta posição voluntária,  minha filiação foi revogada depois de quase um ano de serviço - só porque aconteceu de eu ser gay”.

Um ano depois, o movimento resultou em 1,4 milhão de assinaturas pedindo o fim da proibição. O abaixo-assinado gigante foi levado por Jennifer e seus apoiadores à sede da BSA, na cidade de Irving, no Texas.

Jennifer com o filho Cruz participa, que a motivou a entrar no grupo de escoteiros
Reprodução/Change
Jennifer com o filho Cruz participa, que a motivou a entrar no grupo de escoteiros


O abaixo-assinado certamente terá influência na decisão da BSA, mas o fim da proibição ainda enfrenta muitos opositores. Em janeiro desse ano, a organização chegou a anunciar que estava considerando permitir a associação de gays, mas recuou logo em seguida, dizendo que só tomaria uma decisão no próximo mês de maio, data da reunião anual e nacional da entidade.

Entre os opositores do fim da proibição, estão grupos religiosos que patrocinam as unidades regionais da BSA. Mas também existem patrocinadores do outro lado. A fundação United Way of Greater Cleveland, por exemplo, deixou de dar dinheiro para a organização de escotismo, alegando que o impedimento de gays nas turmas estava em conflito com as suas políticas de diversidade e inclusão

Outro grande apoiador da causa é o presidente dos EUA Barack Obama.  Ele pediu que a BSA acabe com a proibação o mais rápido possível. 

Perguntas polêmicas

O questionário feito pela BSA vai muito além do ‘sim’ e do ‘não’ que permitiria a entrada ou não de gays na organização. Até as acomodações dos escoteiros na hora de dormir são discutidas.

Um das perguntas, por exemplo, questiona se escoteiros heterossexuais e homossexuais devem compartilhar a mesma barraca durante um acampamento.

Outro questionamento aborda qual o papel deve ter a religião no escotismo, perguntando se um escoteiro religioso tem o direito de se recusar a ter um colega gay em seu grupo.

Os associados são sondados sobre o fim da proibição coim essa pergunta: "Se o Boy Scouts of America tomar uma decisão sobre esta política que não seja de acordo com o seu próprio ponto de vista, você vai continuar a participar ou vai deixar a organização?.

As respostas a essas e todas as outras perguntas devem chegar aos líderes nacionais da BSA antes do encontro, para que eles possa tomar conhecimento do resultado com antecedência. Em poucos dias, mais 325 mil questionários devem ser enviados aos escoteiros e aos seus pais.

*Com informações do The New York Times 

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