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Ex-presidente dos EUA alega que a lei que ele próprio sancionou não condiz com os princípios do país. A Suprema Corte analisará a constitucionalidade do ato no próximo dia 27

Quando era presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton assinou em 1996 uma lei que definia o casamento como sendo entre um homem e uma mulher, impedindo o reconhecimento em nível federal do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Clinton assinou em 1996 uma lei que impede o reconhecimento em nível federal do casamento entre pessoas do mesmo sexo
AFP
Clinton assinou em 1996 uma lei que impede o reconhecimento em nível federal do casamento entre pessoas do mesmo sexo

Na última quinta-feira (07), em um artigo publicado no jornal “The Washington Post”, o democrata que ocupou o cargo de presidente entre 1993 a 2001, disse que era “uma época bastante diferente” quando ele sancionou a lei do Ato de Defesa do Casamento (DOMA, na sigla em inglês). Na época, nenhum Estado americano reconhecia o casamento gay, embora alguns estivessem caminhando para aprovação, explicou Clinton. 

O democrata justificou a assinatura da lei dizendo que seu ato foi uma estratégia para impedir que deputados federais criassem uma emenda constitucional que proibisse o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Com a Suprema Corte do país prestes a rever a constitucionalidade do DOMA no próximo dia 27, o ex-presidente escreveu que a justiça “tem que decidir se a lei é consistente com os princípios de uma nação que honra a liberdade, igualdade e justiça acima de tudo, e se é constitucional”.

“Como o presidente que transformou o ato em uma lei, eu acredito que o DOMA é contrário a esses princípios e, de fato, incompatível com a nossa Constituição”, defendeu  o ex-presidente. 

A administração do governo Obama também já pediu para a Suprema Corte derrubar a lei, alegando que ela viola a garantia de proteção igualitária, negando aos casais gays os benefícios federais que estão disponíveis aos casais heterossexuais.

Clinton escreveu  ainda que quando sancionou a lei, ele incluiu uma afirmação de que o decreto não deveria “ser entendido como uma desculpa para a permitir a discriminação”.

“Lendo essas palavras hoje, eu sei que, pior do que fornecer uma desculpa para a discriminação, a lei é em si discriminatória. Ela deve ser revogada”, admitiu o ex-presidente, no mea culpa publicado no jornal americano. 

*Com Reuters

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