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Você é do time dos gatos ou dos cachorros? Na casa das garotas, os bichos são família. Elas se casam e separam, superam alergias, mas não abrem mão dos seus animais

A jornalista Milly Lacombe com a vira-latas Cora e a lhasa-apso Mila
Arquivo Pessoal
A jornalista Milly Lacombe com a vira-latas Cora e a lhasa-apso Mila

Naquele domingo, quatro anos atrás, a jornalista Milly Lacombe acordou como era de costume: ao lado de sua mulher e sem nenhum cachorro por perto. Na mesma noite, a família estava com outra configuração: duas mulheres e Mila, uma cachorrinha da raça lhasa-apso. “Minha irmã, que tinha três filhos e estava tentando o quarto, achou que quatro filhos e um cachorro era coisa demais. Então ela chegou à minha casa com uma caminha, um pacote de comida e a Mila. E foi embora.”

Em casa, Vicky Bicudo com a pitbull Guilhermina
Divulgação
Em casa, Vicky Bicudo com a pitbull Guilhermina

Naquela época, tanto Milly quanto sua mulher trabalhavam fora, e Mila passava o dia todo sozinha. “Dava a maior pena, ela já tinha ficado órfã e ainda ficava o dia todo abandonada.” Foi aí que Milly encontrou a vira-latas Cora, abandonada no estacionamento perto do seu trabalho. “Ela estava morrendo na rua e a resgatei. Por um tempo pareceu uma péssima ideia: minha mulher ficou me odiando, e a Mila odiando a Cora. Passou, hoje todo mundo se dá bem. As cachorras se amam e se você mandar minha mulher escolher entre a Cora e eu, ela fica com a Cora.” Exagero dela, obviamente. Mas não é incomum que mulheres, ou casais de mulheres, adotem bichos para completar a família.

Umas se encantam com a independência felina, nas outras a fidelidade canina faz os olhos brilharem. Claro que toda regra tem exceção, mas não há como negar o mito: gatos têm fama de frios e calculistas, os cachorros de ser muito carentes. Será que é isso mesmo? E, afinal, como a essência de cada animal pode interferir na vida de suas donas?

O iGay foi atrás de garotas lésbicas para tirar essa história a limpo e, também, desvendar outra curiosidade: elas preferem gatos ou cachorros? Será que a natureza feminina tende a ser mais imune ao charme estabanado dos cãezinhos e faz com que as meninas se identifiquem mais com a misteriosa autonomia dos felinos?

Cachorros bagunceiros X Gatos blasés

Na casa da assistente de pós-produção visual Sofia Franco , de 23 anos, os cachorros realmente não têm vez. Casada há cinco anos, ela comenta que, quando adotou os gatos Negrito, Amelie e Ricotinha, ficou impressionada com o quanto a personalidade deles combinava com a sua. “Não ficavam pedindo carinho, não demandavam uma rotina de brincadeiras e exercícios e não destruíam tanto as coisas”.

Conclusão: os novos inquilinos eram perfeitos pra Sofia. “Finalmente me encontrei no sentido de ter um bichinho. Só preciso de arranhadores, escovadas semanais e manter a caixinha de areia sempre limpa”, explica ela.

Para a estudante de veterinária Mayra Cassini , de 26 anos, adotar um gato não confirmou nenhum dos famosos clichês de conduta felina. Pelo contrário: Nelson vive dando a barriga para os outros coçarem, dorme com a língua para fora e adora lamber a cara da dona. “Ele é praticamente um cachorro”, diz Mayra.

Ela, que cresceu ouvindo sua mãe dizer que gatos não eram bons bichos, acabou acreditando. “Eu amava todos os animais, mas nunca quis ter gatos”, conta. Quando foi morar com a namorada, há pouco mais de seis meses, elas decidiram adotar Bernardo, um cachorro deficiente – de três pernas – que apreciava a companhia dos gatos, seus históricos arquirrivais. Assim, Nelson e Rafa, bichanos irmãos, acabaram se unindo à nova família. “Hoje descobri que amo os cães tanto quanto os gatos. Na verdade, nem vejo mais diferença”, comenta Mayra.

Como todas as famílias, as formadas pelas meninas e seus bichos são todas diferentes – e cada uma um pouco igual. Veja algumas histórias de garotas e seus bichinhos de estimação.

Mãe solteira de quatro gatos

Cristiane Furtado , 35 anos, historiadora. Brinca que é “mãe solteira de quatro gatos” por ter ficado com Kali, Tina, Gia e Appiah após o término de um casamento: “Eles iam sentir muita falta um do outro se os separássemos”.

A namorada passou, Luigi ficou

Durante a semana, a professora de inglês Carolina Ferrari , 39, passeia com seu vira-latas Luigi pelas ruas do bairro paulistano da Bela Vista. Nos fins de semana, a dupla se aventura por trilhas ecológicas nos arredores da cidade. “Ele ama, porque é a chance que tem de correr sem guia, de rolar na grama, se jogar na lama e nadar”, conta ela. “Faz cinco anos, desde que adotei o Luigi, que nunca mais tomei banho sozinha. Ele deita no tapete do banheiro e fica me esperando”, diz Carolina, sobre o cachorro que também tem espaço ao seu lado na cama. “Quando o Luigi chegou, minha namorada na época ficou louca por ele. Foi ela, inclusive, que o acostumou a dormir com a gente. Ele se enfiava no meio das duas, disputando nosso carinho”, completa. A namorada passou, Luigi ficou.

Faz cinco anos, desde que adotei o Luigi, que nunca mais tomei banho sozinha. Ele deita no tapete do banheiro e fica me esperando.

Conquistada por um pacote de pulgas

Erika Dias , 26 anos, publicitária. Ao perder a primeira cachorrinha, ela decidiu que não teria mais nenhum animal. Mas, ao conhecer a Nala, não aguentou: “Aquele pacote de pulgas e sarnas com o rabinho entre as pernas acabou virando minha filha”.

Posso levar a Filó?

Fernanda Avila , 26 anos, tradutora. O gato Zeca tem dois meses e a cachorra Filó, presente da namorada, tem seis. “Agora, sempre que alguém me chama pra viajar eu já pergunto: posso levar a Filó?”, conta.

Uma gata que é uma artista

Maria Isabel Baptista , 30 anos, codificadora. Convenceu a namorada há pouco tempo de que os gatos não são traiçoeiros. Sua cachorra se chama Brenda, a gata menor, Matilda, e a maior é a Cleo – uma homenagem à atriz Cleo Pires.

Chegar em casa e nunca estar sozinha

Jane Oliveira , 27 anos, fotógrafa. Desde julho de 2012, Ida Maria é uma de suas prioridades: “Ter um bichinho significa aquela cumplicidade de chegar em casa depois de um dia difícil e ter a Ida ronronando na porta”.

Ter um bichinho significa aquela cumplicidade de chegar em casa depois de um dia difícil e encontrar a Ida ronronando na porta.

Uma galera para sustentar

Karina Mendes , 32 anos, assistente administrativa. Dona de três cães e uma gata, está com Tarsila (foto) há três anos. “Casei e descasei duas vezes e eles sempre ficaram comigo. Hoje não posso adotar mais ninguém, fiquei com uma galera para sustentar”, brinca.

A namorada tem alergia a pelos

Liana Guterman , 29 anos, professora de inglês. Dona de uma cachorra e um gato, Legadema e Mariposa, ela namora uma garota alérgica a pelos: “Pra ela dormir aqui acaba sendo complicado, tenho que manter a gata fora do quarto”.

Casei e descasei duas vezes e eles sempre ficaram comigo. Hoje não posso adotar mais ninguém, fiquei com uma galera para sustentar.

A Bebel vai com qualquer um

(crédito para foto: Mariele Góes)

Liz Stern , 24 anos, animadora-videomaker. Dona da gata Bebel, veio de Salvador para São Paulo com ela, e ambas já mudaram bastante de endereço. “Hoje moro com três pessoas no quarto apartamento que ela habita. Como vai com qualquer um, ela ganha bastante atenção”.

Mel e Pinga são como filhas

Luisa Haddad , 27 anos, desenvolvedora HTML. As vira-latas Mel e Pinga são como filhas. Após descobrir que Mel tinha um tumor na cabeça e podia ter convulsões a qualquer hora, hoje a leva para todo lugar, inclusive ao trabalho: “Fui a primeira pessoa a levar cachorro em uma entrevista, mas ela fez sucesso”.

Uma casa para quem gosta de bichos

Marília Dutra , 26 anos, analista de BI. Com a cachorra Janis e a gata Gia, não tem frescura: “Eles são livres dentro de casa e, para vir aqui, não precisa amar bichos, mas tem que gostar”.

Uma tinha um cachorro, a outra gostava de gatos

Marina Bruno , 23 anos, operadora de áudio. A primeira pergunta que fez quando conheceu a namorada, Andressa , foi: “Você gosta de cachorro?”. Dona do ciumento Marwin, Marina hoje mora junto com Andressa, e as duas dividem a vida com ele e com uma gata, Lorena. “Minha namorada gostava de gatos e eu não conhecia nada sobre eles”. Um dia, pegou uma gatinha para cuidar por um tempo, e acabou ficando com ela. “A Andressa se apaixonou, não teve como” diz Marina. E gata e cachorro viraram irmãos.

“Eu sou a mãe, ela é o pai”

Mayra Cassini , 26 anos, estudante de veterinária. Ao decidir morar com a namorada, já disse que queria bichinhos. Adotaram o cão Bernardo e os gatos Nelson e Rafa e ela acabou virando a mãe de todos. “Minha namorada é o pai: brinca mais com eles, mas acho que nunca encheu o pote de comida”, brinca.

“Dizer que gatos são traiçoeiros é ignorância”

Roberta Salles , co-criadora do vlog Dedilhadas, 36 anos. Mãezona do Calvin, confessa: “Eu sempre preferi gatos. Ao contrário do que dizem, eles são companheiros e carinhosos. Fico até brava quando falam que são traiçoeiros, pois isso vem da ignorância”.

“Toma que a filha é tua”

Samantha Simões , 27 anos, fotógrafa. Faz 15 anos que tem Babi ao seu lado. Quando saiu de casa, sua mãe disse: “Toma que a filha é tua”. Hoje mora num prédio que, teoricamente, proíbe cachorros, e precisa levar a cachorrinha para cima e para baixo. “Durante a noite ela sempre chora quando eu não estou”, comenta.

Casa adaptada

Sofia Franco , 23 anos, assistente de pós-produção visual. Não se vê mais sem os gatos  Negrito, Amelie e Ricotinha e tem a casa toda adaptada: arranhadores, caminhas e brinquedos espalhados, além de telas nas janelas.

Vai casar e levar o gato

Vanessa Gurgel , 27 anos, bióloga. Dona do gato Billy, está prestes a morar com a namorada: “Ela disse que o máximo que vai fazer por ele é colocar ração, mas comprou duzentos arranhadores para ver se ele nem olha para o sofá”, ri.

Uma pitbull muito sedutora

Victória Bicudo , 27 anos, cozinheira. “Gosto de gatos, mas sou do tipo que prefere a carência canina. A Guilhermina é um doce, companheira para todas as horas e sempre conquista os outros - apesar de ser um pitbull”.

“Gato combina mais com a nossa rotina”

Naná de Luca , 23 anos, professora. Com a namorada, adotou uma gatinha que batizou de Diadorina: “Ela combina mais com a nossa rotina. Não poderia adotar um cachorro se não teríamos espaço e tempo para dedicar a ele”.


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