Dediane Souza foi nomeada e registrada com seu nome social no posto de assessor técnico da Coordenação de Políticas LGBT da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania

Dediane Souza foi o primeiro caso de registro oficial com nome social
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Dediane Souza foi o primeiro caso de registro oficial com nome social

O Diário Oficial da Cidade de São Paulo registrou o feito na quarta-feira (16): Dediane Souza foi oficializada no cargo de assessor técnico da Coordenação de Políticas LGBT da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. Dediane Souza é o nome social de José Batista de Souza.

O fato merecia mais destaque do que teve o anúncio da publicação: foi a primeira vez que um órgão municipal reconheceu, em documento oficial, o nome adotado por uma pessoa de identidade sexual diferente da que consta na certidão de nascimento. Portaria de 2010 já garante que travestis e transexuais usem seus nomes sociais em crachás e cartões de ponto.

Cearense de Santana do Acaraú, Dediane tem 25 anos e está em São Paulo há pouco mais de um mês, coordenando na secretaria o setor responsável pelas políticas para o público trans – travestis e transexuais. Militante desde os 16 anos, ela trabalhou por oito no Grupo de Resistência Asa Branca, principal entidade de defesa dos direitos LGBT de Fortaleza, foi conselheira municipal e estadual sobre o tema e coordenou várias edições da Parada do Orgulho Gay.

Crachá de Dediane Souza na Secretaria de Direitos Humanos
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Crachá de Dediane Souza na Secretaria de Direitos Humanos

Foi como Dediane que ela exerceu sua atuação política. “Quando falo meu nome, não é o de registro. Meu nome como sujeito social e político é Dediane Souza. Qualquer legislação que venha respeitar o uso do nome social é algo essencial." Dediane é uma conjunção do apelido de infância, Dedé, ao nome de uma irmã, Lidiane.

MENININHO PINTOSO

Desde criança Dediane tomava posição e se destacava. Mais velha de cinco irmãos, ela conta sempre ter tido o apoio da mãe. “Fui um menininho muito pintoso e minha mãe deixava bem claro que tinha que me afirmar.” Aos 16, se envolveu com movimentos sociais. “Foi quando me reconheci como travesti e abracei o movimento LGBT”.

Fui um menininho muito pintoso e minha mãe deixava bem claro que eu tinha que me afirmar."

A alteração do nome em documentos oficiais, já realidade na Argentina, depende da aprovação de uma lei no Brasil. “Nosso Legislativo tem uma ala fundamentalista grande que estanca muitas políticas sociais”, reclama Dediane, que afirma: "Queremos ser de fato o que a gente é.”


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