Fê Maidel é colunista do iGay e fala sobre transição de gêneros e busca pelo que se é. Para el@, a Parada é o momento de expor tudo isso e muito mais

Estamos na Semana da Parada Gay. .. ou melhor, da Parada do Orgulho LGBT SP. Mais que festa, confraternização, reivindicação, militância, vejo este como um momento de reflexão. 
Em um país em que as maiores manifestações culturais derivam de expressões religiosas (Natal, carnaval, festas juninas, Páscoa...), sediar a maior Parada LGBT do mundo traz novos significados ao evento.

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Vista suas cores e venha também para Parada do Orgulho LGBT
Fe Maidel
Vista suas cores e venha também para Parada do Orgulho LGBT

Há quem o ignore a Parada do Orgulho LGBT , os que repudiam, há quem respeite o direito à expressão e há quem prefira ficar em casa. As pessoas que se identificam e estão mobilizadas provavelmente irão à parada. Mas há um monte de gente que não pode ir. Gente calada. Armarizada.

A Parada tem a intenção de reunir a todos, inclusive aqueles que se sentem excluídos, de várias formas, e não têm espaço para sua expressão. Este é o sentido da palavra diversidade . Esta é a intenção da palavra orgulho . A parada serve para lembrar o Art. 5º da Constituição Brasileira, que começa com: “Todos são iguais perante a lei...”, um direito que deve valer o tempo todo. Mas parece que, no Brasil, uns são mais iguais do que os outros.

Se presta a denunciar um país hipócrita, violento, bairrista, classista, no qual tudo podemos, desde que seja parecido com o carnaval. Sem pecados abaixo do equador. E quando há lei, seus agentes, que devem estar a serviço daqueles que, pela condição, pelo número, pela falta de instrumentos, fazem vista grossa ou tingem ideologicamente suas ações, esvaziando o resultado. Também serve para refletirmos o que queremos para nós, o que fazer de nosso destino, como país, como sociedade, como tolerância, como gente. Como diversidade. 

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Gente que não se inclui no guarda-chuva LGBT começa a perceber que a violência que sofremos se espalha para outras partes da sociedade, sem critério, sem gênero , sem dono. E que algo precisa ser feito. Vemos, todos os dias, atos terríveis acontecendo contra pessoas que se identificam como LGBT, contra pessoas vulneráveis, contra cidadãos. Nós versus eles. Quem somos NÓS? Quem são ELES?

Participar deste evento é lutar pelo direito a nossas vidas, nossos corpos, nossos jeitos de ser. Pelo direito de não ter que pedir permissão para viver quando até isso nos é vetado, não por uma lei explícita, mas pelo constrangimento, pela possibilidade (real) da agressão, pelo olhar, pelo julgamento, pela maneira que se é classificado, sujeitos a um saber jurídico, a um saber médico, ao poder externo concebido para nos proteger, mas que, em verdade, tolhe o direito que almejamos. 

O movimento LGBTQ, o movimento feminista, o movimento negro, todos ensejam este desejo de autonomia e segurança. Esbarramos na visão tacanha de uns tantos, que insistem em dizer que nos representam. Fica o convite para viver a Parada Gay com olhos, corações, mentes e corpos abertos para o novo, desejando apenas viver, sem medo.

Em tempo: no dia 13 de junho haverá a abertura da mostra DIVERSA 2017 (http://paradasp.org.br/tag/mostra-diversa/), coletiva de vários artistas focando a diversidade, e que ficará aberta por 4 meses. Estarei participando e espero que você prestigie.

Leia mais sobre a Parada do Orgulho LGBT no iGay e acompanhe Fê Maidel na  coluna "O T da Questão"  no iGay. 

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