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"Somos uma família como qualquer outra", ressalta mãe lésbica sobre sua vida com a parceira e as duas filhas, em especial de Dia das Mães do iGay

O Dia das Mães é uma data importante para relembrar a importância das mulheres que cuidam, protegem e compartilham de seu amor muitas vezes incondicional com cada um de nós. É importante notar que o significado de mãe vai além do parâmetro biológico, já que a adoção é uma realidade, principalmente para mães LGBT .

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O casal lésbico escolheu adotar duas meninas, sentindo hoje uma realização e uma ternura imensurável por serem mães
Arquivo pessoal
O casal lésbico escolheu adotar duas meninas, sentindo hoje uma realização e uma ternura imensurável por serem mães


Um casal de mulheres, lésbicas ou bissexuais, podem escolher adotar uma criança para se tornar  mães . Esse é o caso de Flávia Lages, professora e doutora em Sociologia e Direito no Rio de Janeiro, que é casada com Luciana e tem duas filhas, K. e C., cujas identidades foram preservadas a pedido da mãe. Em entrevista ao iGay , Flávia, de 48 anos, conta como é ser mãe LGBT por meio da adoção.

Para Flávia, ser mãe é tradução de ternura e responsabilidade, independentemente de questões biológicas. “Ser mãe é uma escolha, um desafio. Por isso, é maravilhoso, porque é uma realização”, afirma. Portanto, para ela, trata-se da jornada da maternidade em si, sem relação com os conceitos preconcebidos de família.

“Somos uma família como qualquer outra”, afirma. Ela esclarece que a criação das filhas não é nada fora do comum, ensinando e colocando as meninas de castigo se necessário, por exemplo.

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Em comparação com a família de algum colega na escola, “as questões delas [as filhas] são muito tranquilas”, diz a mãe Flávia. Para elas, não é um problema ter a família que têm, e fazem apenas perguntas sinceras e pertinentes sobre a vida. “Elas acham o máximo ter duas mães, até fazem brincadeiras e se exibem para as colegas.”

Os alunos de Flávia comemoraram a vinda das duas filhas da professora com um
Arquivo pessoal
Os alunos de Flávia comemoraram a vinda das duas filhas da professora com um "chá de bebê", antes de ela sair de licença


“Família é família, qualquer que seja”, coloca a professora. Flávia e a parceira estão em uma relação estável há mais de dez anos e sempre quiseram adotar. Ela conta que, nesse tempo, as coisas melhoraram muito para LGBTs. “Hoje, o ambiente é mais tranquilo”.

A mãe explica que um exemplo dessa realidade é a de seus pais. Nascida em uma família heteronormativa, eles precisaram se adaptar na época em que se assumiu. No entanto, atualmente a família não vê o menor problema na parceira e nas filhas de Flávia, “a família é enorme”.

Outro fato que marcou sua maternidade foi a licença dada pela instituição de ensino onde trabalha, além do “chá de criança”, fazendo alusão ao típico “chá de bebê”, que seus alunos fizeram antes de Flávia sair de licença.

“Vivo em uma bolha muito agradável”, declara. No entanto, a professora tem em mente a realidade de discriminação que casais LGBT podem viver no processo de adoção. Ela e sua parceira tinham medo de sofrer por serem do mesmo sexo, mas, como o processo em si já é demorado, não é possível afirmar rigorosamente se houve discriminação em algum momento.

O processo de adoção de um casal LGBT

O casal lésbico escolheu adotar duas meninas, sentindo hoje uma realização imensurável por serem mães
Arquivo pessoal
O casal lésbico escolheu adotar duas meninas, sentindo hoje uma realização imensurável por serem mães


O processo de adoção em geral já é burocrático e complicado, como explica Flávia. São várias etapas, e a Justiça demora quase dois anos, aproximadamente, para oficializar as duas partes, a criança a ser adotada e o casal a ser apto para adotar.

No entanto, em se tratando de adoção quando se é LGBT, o processo pode ser ainda mais dificultado. Flávia explica que a maior parte dos abrigos de crianças são de organizações evangélicas, ou seja, “é muito fácil e muito comum para a cabeça de uma criança ser construída para negar casais homoafetivos”. Além disso, “um promotor, se homofóbico, pode dar um jeito de passar um casal heterossexual na frente de um LGBT”.

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As mães não pretendem adotar outra criança no futuro, pois “demanda muito investimento emocional”. Apesar de toda essa realidade, ela recomenda a adoção para qualquer casal, sendo hétero, homo ou o que for, desde que seja amor.

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