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Segundo relato publicado por Tatit no Facebook, casal foi abordado por uma funcionária lésbica que recebeu ordens para "oprimir pessoas iguais a ela"

Mais um casal LGBT alega ter sofrido preconceito por demonstrar o amor em público. Em seu Facebook, Tatit Brandão relatou o caso de homofobia que ela e sua companheira sofreram em uma padaria localizada no bairro da Pompeia, na zona oeste de São Paulo. A publicação já tem mais de 2.800 reações e mais de 600 compartilhamentos.

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Tatit Brandão contou que sofreu homofobia junto com parceira em uma padaria de São Paulo
Reprodução/Facebook/Tatit Brandão
Tatit Brandão contou que sofreu homofobia junto com parceira em uma padaria de São Paulo

“Manhã de sexta-feira. Um casal apaixonado demonstra amor e afeto enquanto toma café na padaria. Duas mulheres comendo pão na chapa, café e suco de laranja enquanto conversam, se beijam, se abraçam, compartilham sonhos, sorriem e são felizes: eu e minha companheira Laura M Baruffaldi”, diz Tatit no relato. Foi quando uma funcionária do estabelecimento cutucou Tatit, que diz que sentiu “medo de estar prestes a sofrer mais uma vez a violência da homofobia”.

A funcionária afirmou que dois clientes reclamaram com o gerente pelo “incômodo” que elas estavam causando e que um deles disse que a padaria devia ser um “ambiente familiar”. A funcionária, então, pediu que o casal agisse de maneira mais “discreta”.

“Não é preconceito por vocês serem assim, nem nada, me desculpa, não é por mal, eu também sou gay e faz tempo, desde os meus 11 anos. Tem alguns lugares que eu me sinto bem à vontade... no Vermont, na República, no Arouche... mas é que lugares como aqui é bem complicado... Sabe? Meninas, me desculpem mesmo, a padaria quer receber e agradar todo mundo, o gerente pediu pra eu vir aqui falar com vocês porque ele sabe que eu sou gay e aqui nunca sofri nenhum preconceito em relação a isso, eles me aceitam normal”, teria dito a funcionária, de acordo com o depoimento de Tatit.

Veja o relato completo:


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Tatit conta que perguntou o que ela estava pedindo ao casal. “A moça tentou falar, continuou se embananando mais ainda, se emocionou, pediu desculpas e saiu da nossa frente chorando em direção ao banheiro. Essa cena se repetiu mais duas vezes. Ficamos, claro, paralisadas e incrédulas com o tamanho do horror a que NÓS TRÊS estávamos sendo submetidas”.

Ela relata que a situação ficou ainda pior pela junção de dois fatores: “Sofrer homofobia já é um horror sem fim. Sofrer homofobia e ao mesmo tempo presenciar um assédio moral descarado entre chefe-empregada sendo que a empregada sofre o mesmo tipo de opressão que você, é um horror elevado a enésima potência. A funcionária recebendo uma ordem do chefe não está em posição de argumentar, nem discutir, nem se negar a nada, ainda que a ordem seja oprimir pessoas iguais a ela, e a si mesma”.

Para pedir perdão pela situação, a funcionária ofereceu um panetone como presente para o casal, que não recebeu o presente, mas aceitou o pedido de desculpas. 

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Em entrevista ao iGay , Tatit conta que foi a primeira vez que ela fez um relato em rede social contando um caso de lesbofobia sofrida por ela e pela companheira. "Saímos da padaria e não tivemos dúvida nenhuma em relação a expor os detalhes, não só da agressão que sofremos mas também da agressão que a padaria destinou à funcionária lésbica", afirma.

Para ela, o intuito é incentivar outras pessoas a denunciarem essas situações e "lembrar que os donos de estabelecimentos têm a responsabilidade de treinar seus funcionários em relação a como lidar com o preconceito dos clientes lesbofóbicos".

Resposta da padaria

Em sua página no Facebook, o estabelecimento “Delícia de Perdizes” publicou uma carta de retratação: “Queremos nos retratar publicamente com o casal Tatit Brandão e Laura M Baruffaldi. Por elas terem passado pela degradante situação de se sentirem erradas, quando não fizeram nada mais que demonstrar o sentimento que sentem uma pelo outra. A culpa não é da funcionária que as abordou. Não é também só de pessoas que se sentiram incomodadas. A culpa é da Delícia de Perdizes."

Sobre o comunicado do estabelecimento a respeito do caso de homofobia, Tatit diz que tem esperança que a padaria esteja aberta a reflexões e aproveite a oportunidade para uma transformação dentro da empresa. "E que não termine apenas num bilhete, que eles chamaram de 'carta de retratação', porque do jeito que foi (mal) escrito ficou parecendo que teve somente a finalidade de estancar um possível prejuízo de perder clientes por conta da repercussão que o post teve", finaliza Tatit.