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Segundo pesquisa, o Brasil é o país em que mais pessoas trans foram assassinadas, com 171 casos entre outubro de 2016 e setembro de 2017

A Transgender Europe (TGEU) - organização internacional de defesa de pessoas transgênero - divulgou novos dados sobre os assassinatos na  população trans ao redor do mundo. De acordo com a pesquisa Trans Murder Monitoring (TMM), o Brasil é o país em que mais pessoas trans foram assassinadas no período analisado.

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O Brasil registrou 171 casos de assassinatos a pessoas trans no período analisado
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O Brasil registrou 171 casos de assassinatos a pessoas trans no período analisado

O relatório de 2017 apontou um total de 325 casos de assassinatos de pessoas trans entre 1º de outubro de 2016 e 30 de setembro de 2017, o que representa um aumento de 30 casos em relação ao ano passado. O Brasil foi o país que mais registrou assassinatos, com 171 casos. Em seguida vem o México, com 56, e os Estados Unidos, com 25. Foram reportados 2.609 casos em 71 países entre 1 de janeiro de 2008 e 30 de setembro de 2017.

Pessoas trans de todo o mundo são vítimas de crimes de ódio, incluindo extorsão, assédios sexuais e assassinatos, que muitas vezes não são relatados. Na maioria dos países, os dados sobre a violência contra pessoas trans não são analisados e é impossível estimar o número real de casos.

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A pesquisa foi divulgada por causa do Internacional Trans Day Remembrance (TdoR), Dia Internacional da Memória Trans, realizado em 20 de novembro de 2017.

Perfil dos assassinados

Muitas vezes, a violência contra as pessoas trans também vem acompanhada de outros preconceitos presentes na sociedade, como racismo, sexismo, xenofobia e discriminação com a trabalhos relacionados ao sexo. Dos assassinatos relatados de pessoas cuja profissão era conhecida, 62% eram profissionais do sexo.

Na Europa, a Turquia viu 44 mulheres trans, a maioria profissionais do sexo, assassinadas nos últimos nove anos. Na França, na Itália, em Portugal e na Espanha, que são os países para os quais a maioria das pessoas trans da África e da América Central e do Sul migram, 69% das vítimas de assassinato relatadas eram migrantes.

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Além disso, os dados também mostram que, nos Estados Unidos, as vítimas são principalmente pessoas trans negras ou nativas americanas (86%). O perfil dos trans mortos no Brasil não foi divulgado pela pesquisa.